Vacina poderá ser produzida em outubro, diz diretor do Butantan

Dimas Covas ressaltou, porém, que mesmo em produção, vacina ainda precisará de testes

Da CNN, em São Paulo
03 de agosto de 2020 às 17:23 | Atualizado 03 de agosto de 2020 às 17:24

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse em entrevista à CNN, que a vacina que está sendo desenvolvida pelo órgão brasileiro em parceria com o laboratório chinês Sinovac, estará liberada para a produção no país em outubro, mas vai depender de resultados positivos na fase 3 de testes para estar disponível para aplicação em humanos.

“A vacina estará disponível para produção a partir de outubro. Temos previsão inicial de 60 milhões de doses que serão aplicadas apenas quando comprovada a eficácia do medicamento”, disse Covas.

“Já mostrou nas fases anteriores, com quase mil voluntários, uma efetividade em torno de 90%, além de ter se mostrado segura. Agora estamos na fase de testes de campo, onde é testada de fato na população.”

Ele explica que a vacina está sendo desenvolvida com uma técnica dominada pelo Instituto Butantan, o que irá facilitar sua produção no Brasil.

Dimas diz que, para além da produção para o território nacional, o Butantan espera exportá-la para países vizinhos.

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“Essa vacina é baseada em uma técnica de produção que o Butantan domina. Conhecemos os fornecedores, conhecemos os equipamentos e a parte de manutenção. Não é um processo novo. Neste momento, estamos testando a melhor forma de fazer a vacina,” afirmou Covas.

Apesar da animação com o medicamento, o diretor do Butatan diz que o Instituto ainda busca entender a amplitude da eficácia do medicamento, para saber se serão necessários uma ou mais doses por pessoas para atingir a imunização ideal.

“Vacinas são medidas preventivas, não curativas. Os estudos clínicos tentam descobrir se iremos precisar de uma ou duas doses para cada pessoa, além de quanto tempo irá durar a imunização.”

Vacina russa

Na última semana correu o mundo a notícia de que uma vacina contra a Covid-19 sendo desenvolvida na Rússia poderá ser a primeira distribuída para a população em geral.

Questionado sobre isso, Covas disse que ainda não tem detalhes do medicamento e que chegou a ser contactado por intermediários do governo russo para produzir a vacina no Butantan.

“O Butantan foi procurado por intermediários do governo russo para produzir a vacina, mas precisamos saber de mais detalhes do medicamento para poder fechar a parceria. É uma vacina que pouco se sabe e não temos os dados sobre a técnica de produção utilizada nem de sua eficiência.”

Apesar de se mostrar reticente em relação à descoberta russa, Covas disse que o mundo precisará de mais de uma vacina e que qualquer esforço é válido. 

(Edição: Sinara Peixoto)