Não se pode esperar vacina para debater retorno às aulas, diz Wanderson Oliveira


Da CNN
05 de setembro de 2020 às 13:05 | Atualizado 07 de setembro de 2020 às 13:27

O epidemiologista Wanderson Oliveira, que é ex-secretário Nacional de Vigilância em Saúde, disse à CNN que não é possível esperar a distribuição em massa de uma vacina contra a Covid-19 para que, nos locais aonde já é possível, se iniciar o debate para o retorno às aulas.

"É inadmissível que tenhamos que esperar uma vacina para dar uma perspectiva para esses alunos. Até porque vários países já tomaram essa iniciativa com resultados muito promissores mesmo não tendo a vacina", defendeu.

Oliveira afirmou que diáloga com os estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Pernambuco para a retomada das aulas de forma segura. "O retorno escolar tem que ser gradual, opcional e responsável desde que seja de acordo com a característica epidemiológica de cada município."

"Aqueles países que realmente são desenvovlidos colocaram as escolas entre os primeiros segmentos sociais a serem reabertos. Infelizmente o Brasil foi o primeiro a fechar e estamos quase sendo um dos últimos a reabrir", completou.

O especialista vê de forma positiva o desenvolvimento simultâneo de diversas vacinas contra a Covid-19, mas ressaltou que é necessário a comprovação da eficácia e segurança de todas.

"Nós temos mais de 170 vacinas em algum estágio de desenvolvimento. Dessas, oito, ou seja, 5%, estão em fase final. Mas não significa que as vacinas que estarão prontas ou disponíveis em primeiro lugar serão as melhores", afirmou. "Nada adianta a vacina sair primeiro e ter uma eficácia muito ruim ou não for segura, isso obviamente impede que ela seja colocada no mercado", completou.

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Por isso, ele não vê uma imunização em massa acontecendo até 2021. "Não acredito que teremos uma vacina antes de metade do próximo ano. Podemos ter uma vacina enquanto produto ainda no final desse ano, isso é uma possibilidade, mas falar no produto estar pronto e ele estar disponível para aplicar nas pessoas tem uma distância muito grande", afirmou Oliveira.

Sobre a vacina da Rússia, o especialista disse que mesmo com o estudo publicado pela The Lancet, ainda faltam informações sobre a confiabilidade dela. 

"É uma amostra pequena, foram 76 participantes [do estudo] e eles tiveram um bom perfil de segurança, as respostas imunológicas foram satisfatórias. Mas ainda precisamos ter a avaliação da eficácia, inclusive descrita pelos autores."

A chegada da vacina tanto ao Sistema Único de Saúde (SUS) como às clínicas particulares, de acordo com Wanderson Oliveira, também deverá ser preparada pelos governos.

"Falamos de distanciamento social de forma recorrente, mas na hora que tiver uma vacina teremos uma corrida aos postos de vacinação. Teremos que fazer uma grande campanha de conscientização para evitar que as pessoas se exponham também durante o processo de imunização."

(Edição: André Rigue)