Fase 3 da vacina russa poderá mostrar efeitos adversos, diz infectologista

Para Júlio Croda, infectologista da Fiocruz, as fases 1 e 2 da vacina de Oxford contra a Covid-19 foram mais avançadas

Da CNN, em São Paulo
07 de setembro de 2020 às 20:31

A Venezuela anunciou que vai participar da fase 3 dos testes clínicos da vacina russa – a Sputnik V. No Brasil, o governo do Paraná diz que vai pedir, ainda este mês, a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para fazer os testes com a imunização. Na semana passada, a revista científica The Lancet mostrou que a vacina se mostrou segura nas fases 1 e 2.

O infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Júlio Croda, acredita que os dados publicados foram importantes para a comunidade científica, mas afirma que é um estudo muito tímido se comparado, por exemplo, com as fases 1 e 2 da vacina da Universidade de Oxford em parceria com o grupo farmacêutico AstraZeneca.

“Existe uma série de dificuldades nos resultados que foram apresentados porque foi um número de pessoas bastante restrito -- apenas 76 voluntários, só homens, de 20 a 30 anos. E não teve um grupo que recebeu placebo para justamente comparar os efeitos adversos e as respostas imunológicas”, explicou Croda em entrevista à CNN.

Assista e leia também:

A vacina da Rússia para a Covid-19 é confiável?

Documentos da vacina russa estão em 'tradução e organização', diz governo do PR

Questionado como imagina que se dará a fase 3 de testes da vacina russa, o infectologista se mostrou mais otimista. Isso porque as autoridades de saúde do país afirmaram que vão testar 40 mil pessoas.

“É um tamanho de amostra bastante adequado para mostrar eficácia. A gente vai ver melhor os efeitos adversos e a resposta imunológica. E envolvendo outras populações como a da Venezuela e a do Brasil, podemos entender se existe características genéticas de certas populações que podem trazer resposta imunológica diferenciada”, avaliou o especialista.