Documentos da vacina russa estão em 'tradução e organização', diz governo do PR


Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo
07 de setembro de 2020 às 15:25

O governo do Paraná está "traduzindo e organizando" os documentos sobre as fases 1 e 2 dos testes da vacina russa Sputnik V para poder solicitar, ainda em setembro, autorização para testar o imunizante em território nacional.

Em entrevista à CNN nesta segunda-feira (7), o chefe da Casa Civil do governo do Paraná, Guto Silva, ressaltou que o objetivo é enviar ainda neste mês à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) os dados do imunizante desenvolvido pelo Instituto Gamaleya.

“Estamos trabalhando com muita velocidade para tentar ganhar tempo. O objetivo deste trabalho é, até o final de setembro, termos [os documentos] protocolado para que, depois, a Anvisa possa liberar os testes da fase 3”, disse.

Ele explicou que funcionários do governo paranaense têm reuniões praticamente diárias com a farmacêutica russa e com o Fundo de Investimentos Diretos da Rússia (RDIF), o fundo soberano do país que financiou o desenvolvimento da vacina.

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“A orientação do governador Ratinho Júnior [PSD] é que a gente possa agilizar, avançar, porque numa pandemia qualquer semana ou dez dias faz muita diferença e pode salvar muitas vidas”, explicou.

Ele reconheceu que a falta de informações sobre o imunizante “causou muito alvoroço”, mas que agora, com acesso aos documentos e depois da publicação dos primeiros estudos sobre a Sputnik V na revista médica The Lancet, na sexta-feira (4), o cenário é de otimismo.

“Com acesso aos documentos, ao estudo na Lancet, aprofundamos e damos transparência às ações e os métodos dessa pesquisa (...) É importante lembrar que a vacina russa usa dois adenovírus humanos, ao contrário de outra vacinas que estão usando adenovírus de chimpanzé.”