Não é 1ª vez que estudo da vacina de Oxford é pausado, diz secretário britânico

Em entrevista à 'Sky News', Matt Hancock afirmou que interrupção não necessariamente vai atrasar o processo de desenvolvimento da substância

Da CNN
09 de setembro de 2020 às 08:44 | Atualizado 09 de setembro de 2020 às 09:34
Laboratório da AstraZeneca em Sydney, Austrália
Foto: Dan Himbrechts - 19.ago.2020 / AAP Image via Reuters

A farmacêutica AstraZeneca interrompeu em todo o mundo os testes da vacina experimental contra o novo coronavírus, que desenvolve em parceria com a Universidade de Oxford, após uma reação adversa em um participante. O Secretário de Saúde do Reino Unido, Matt Hancock, disse à emissora Sky News que não é a primeira vez que isso (pausa para análise) acontece com a substância.

“É obviamente um desafio para os testes dessa vacina”, afirmou ele. “Na verdade, não é a primeira vez que isso acontece com a vacina de Oxford.”

Nessa terça-feira (8), a AstraZeneca anunciou que decidiu interromper os testes, incluindo os que estavam nas últimas fases de estudos clínicos, para que um comitê independente possa revisar os dados com segurança.

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A vacina da AstraZeneca/Oxford vinha sendo descrita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como principal candidata do mundo e mais avançada em termos de desenvolvimento.

Questionado se a pausa vai atrasar o processo de desenvolvimento da vacina, Hancock afirmou: “Não necessariamente, depende do que eles encontrarem durante a investigação”.

A rede britânica BBC informou que uma decisão final sobre a retomada dos testes será anunciada pela Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos para a Saúde do Reino Unido (MHRA, em inglês), o que pode levar alguns dias.

“Essa é uma ação de rotina que tem que acontecer sempre que há uma doença potencialmente inexplicável em um dos testes”, afirmou a AstraZeneca em um comunicado.

Reação desconhecida

A natureza da reação adversa relatada ainda não foi divulgada, mas o participante deve se recuperar.

De acordo com o jornal norte-americano New York Times, uma pessoa com conhecimento sobre o caso disse que o participante, localizado no Reino Unido, teve mielite transversa, uma síndrome inflamatória que afeta a medula espinhal e geralmente é desencadeada por infecções virais.

Ainda assim, não se sabe isso está ligado diretamente aos testes clínicos da vacina da farmacêutica. A AstraZeneca não quis comentar a respeito.

Testes com 5 mil participantes

Chamada AZD1222, a vacina da AstraZeneca em parceira com a Universidade de Oxford está nas fases finais de testes nos Estados Unidos, Reino Unido, Brasil e África do Sul, e testes adicionais estão planejados para o Japão e a Rússia. Em todo o mundo, esses estudos devem envolver mais de 50 mil participantes.

A Coreia do Sul afirmou nesta quarta-feira (9) que vai analisar a suspensão e revisar seu plano de participação na produção da vacina.

“Não é raro que testes clínicos sejam suspensos já que vários fatores interagem”, disse Yoon Tae-ho, oficial do Ministério da Saúde do país.

O Instituto Nacional de Saúde dos EUA, que fornece fundos aos testes da AstraZeneca, não quis comentar.

(Com Reuters)