Correspondente Médico: Por que o cérebro registra situações específicas?

Neurocirurgião Fernando Gomes explica como funciona a memória

Da CNN
11 de setembro de 2020 às 11:17

Em 11 de setembro de 2001, terroristas sequestraram quatro aviões comerciais de passageiros. Dois deles bateram contra as Torres Gêmeas, do complexo empresarial do World Trade Center. Quase 3 mil pessoas morreram. 

Os atentados às Torres Gêmeas completam 19 anos nesta sexta-feira (11), em um momento em que a cidade de Nova York vive um cenário de crise pela pandemia do novo coronavírus. O episódio ficou marcado na memória de bilhões de pessoas ao redor do planeta.

Na edição desta sexta-feira do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes explicou como funciona a memória humana e por qual motivo o cérebro registra situações específicas.

"É muito comum as pessoas lembrarem o que estavam fazendo naquele dia. Todo processo de fixação de uma experiência tem consigo o conteúdo e a emoção que vem junto. Este acoplamento de informações dentro do cérebro tem um poder valioso para conseguir fixar dados e informações que são relevantes", iniciou. 

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Foto: Reprodução/CNN

De acordo com o médico, quando há um registro de algo impactante, imediatamente esta informação fixa na parte do lobo temporal, responsável por auxiliar no processo de criação da memória. "A nossa capacidade de armazenar informações é praticamente infinita, não usamos só 10% do cérebro, usamos ele totalmente", completou.

Por ter sido um episódio que marcou pessoas do mundo inteiro, o atentado também é importante para que se busque reflexões sobre os motivos para que o episódio acontecesse. O médico afirma que é tal discussão é necessária para que cenas como as que foram registradas não se repitam.

"A grande importância da gente lembrar deste momento, é para que isso não venha a acontecer novamente. Lógico que aqui [nesta situação] nós temos um fator que acaba potencializando a memória das pessoas. Quando a gente lembra deste momento, fazemos um caminho para entender qual foi o ponto de partida para o conflito gerar algo que não foi bom para a humanidade. É preciso refletir sobre o que aconteceu para gerar um futuro melhor", explicou.

Neste caso, também é impossível não mencionar a dor do luto. Com a morte de quase 3 mil pessoas, o atentado às Torres Gêmeas impactou os americanos. Anualmente, a data é relembrada com homenagens no memorial que foi construído no local. O médico reforça ainda a necessidade de acompanhamento médico nestes casos.

"Em situações como esta, no cérebro o que acontece é algo muito semelhante ao luto e possui um prazo de validade, que leva, em média, dois anos. Além da perda, pessoas que passaram por isso desenvolvem síndromes como a do estresse pós-traumático. Elas ficam presas naquela memória e no sofrimento. Portanto, estas pessoas precisam ser identificadas e em seguida orientadas por ajuda médica para um tratamento adequado", finaliza.

(Edição: André Rigue)