Apneia do sono pode ser fator de risco para Covid-19, diz estudo


Giulia Alecrim Da CNN, em São Paulo
15 de setembro de 2020 às 17:41

Um estudo divulgado nesta segunda-feira (14), pela Universidade de Warwick, no Reino Unido, identificou que a apneia do sono poderia ser um fator de risco para pacientes com a Covid-19.

Publicado na revista Sleep Medicine Reviews, o estudo destaca a necessidade de investigar mais profundamente o impacto do vírus nas pessoas com a apneia, caracterizada pela obstrução da via aérea no nível da garganta durante o sono, levando a uma parada da respiração, que dura em média 20 segundos. Em longo prazo, pacientes com a condição podem desenvolver doenças nas artérias, que podem provocar acúmulo de colesterol, infarto e derrame.

A doença é comumente diagnosticada em pessoas que roncam ou parecem parar de respirar durante o sono, estando normalmente presente entre aqueles que são obesos. Para confirmar a condição de sono, o exame indicado é a polissonografia. 

Muitos dos fatores de risco e comorbidades associados à apneia do sono, como diabetes, obesidade e hipertensão, são semelhantes àqueles associados como agravantes do novo coronavírus. No entanto, os pesquisadores ainda irão investigar se o diagnóstico de apneia obstrutiva do sono poderia ser um risco adicional além desses fatores.

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Os pesquisadores analisaram dezoito estudos sobre apneia obstrutiva do sono e Covid-19 publicados até junho de 2020. Destes, oito estavam relacionados principalmente ao risco de morte pelo novo coronavírus, e outros dez estavam relacionados ao diagnóstico, tratamento e gestão da apneia do sono. A pesquisa da universidade inglesa também identificou uma relação entre pacientes que precisaram ser internados em unidades de terapia intensiva (UTI) e o diagnóstico da apneia. 

Em outro estudo analisado pelos pesquisadores foi identificada a possibilidade de pacientes com apneia do sono e diabetes terem um risco 2,8% vezes maior de morrer no sétimo dia de internação da Covid-19.

“É provável que a Covid-19 aumente o estresse oxidativo e a inflamação e tenha efeitos sobre as vias da bradicinina, que também são afetadas em pacientes com apnéia obstrutiva do sono. Quando você tem indivíduos nos quais esses mecanismos já são afetados, não seria surpreendente que o novo coronavírus os afete mais fortemente”, disse a principal autora do estudo, Dra. Michelle Miller.

Os pesquisadores acreditam que é importante que as pessoas com diagnóstico de apneia obstrutiva do sono estejam cientes do risco adicional potencial e estejam tomando as precauções adequadas para reduzir sua exposição ao vírus. Mais pesquisas são necessárias para determinar se esses indivíduos precisam ser adicionados à lista de grupos vulneráveis ??que podem precisar de proteção se a transmissão do vírus aumentar.

De acordo com os dados apresentados na pesquisa, 1.5 milhão de pessoas teriam o diagnóstico para a apneia do sono no Reino Unido, porém mais de 85% das pessoas poderiam ter a doença e não saber. 

*Supervisão de Evelyne Lorenzetti