'Sintomas na reinfecção têm se mostrado mais fortes', diz infectologista

Max Igor Banks, médico infectologista diz achar difícil que o vírus saia de circulação, mas que se as vacinas evitarem quadros graves, serão bem sucedidas

Da CNN, em São Paulo
18 de setembro de 2020 às 18:08 | Atualizado 18 de setembro de 2020 às 18:09

A reinfecção pelo novo coronavírus é um dos tópicos da comunidade científica, no momento, após casos desse tipo terem sido identificados na China e Estados Unidos.

Segundo Max Igor Banks, médico infectologista do Hospital das Clínicas em entrevista à CNN, nesta sexta-feira (18), ainda não há prova “irrefutável” de que a reinfecção é comum, mas que os casos registrados confirmam a existência do fenômeno.

“Existe a reinfecção pelo novo coronavírus, isso já foi confirmado em algumas ocasiões. Porém isso não ocorre de maneira frequente e não é simples de dizer quando há a reinfecção.”

Ele diz que os casos relatados apresentam características diferentes, mas que é mais comum que a retomada da doença ocorra de forma mais intensa.

Leia também 

Pesquisas de vacinas contra Covid-19 no Brasil terão ao menos 28 mil voluntários

Rio de Janeiro investiga possível caso de reinfecção de Covid-19

'Não é motivo para pânico', diz microbiologista sobre reinfecção por Covid-19

O infectologista Max Igor Banks
Foto: CNN (18.set.2020)

“Há casos de pessoas que não apresentam sintomas na segunda vez que contraem o vírus. Porém, no caso dos Estados Unidos, a segunda vez apresentou sintomas mais fortes. Essa é uma situação mais próxima da que observamos no Brasil,” disse Banks.

“A tendência é de maior intensidade da doença na reinfecção, porém não estamos vendo situações graves nestes casos. Os anticorpos para doenças respiratórias duram pouco tempo, os da Covid-19 também se comportam assim.”

O infectologista diz achar difícil que o vírus saia de circulação, mas que caso as vacinas evitem quadros graves da doença, a humanidade poderá conviver com a Covid-19.

“Se a vacina evitar casos graves, já pode ser considerada um sucesso. Acho improvável que o vírus suma de circulação, a diferença é que, sem quadros graves, a doença deixa de ser tão importante.”