SP pode se aliar a outros estados se ajuda federal à Coronavac não sair


Natália André e Tainá Falcão, da CNN, em Brasília e São Paulo
08 de outubro de 2020 às 10:21 | Atualizado 08 de outubro de 2020 às 10:27
João Doria, segura caixa da potencial vacina contra a Covid-19 da Sinovac

Governador de São Paulo, João Doria, segura caixa da potencial vacina contra a Covid-19 da Sinovac

Foto: Amanda Perobelli - 21.jul.2020/Reuters

Um pool de governadores está sendo discutido, caso o Ministério da Saúde não ajude o estado de São Paulo a comprar o número necessário de doses da vacina chinesa, Coronavac, para uma campanha nacional. A informação é do presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas.

O pool funcionaria como uma "vaquinha", já que, sozinho, o estado de São Paulo não tem recursos suficientes para as doses. Assim, um volume maior do imunizante poderia ser adquirido.

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Como adiantado pela CNN, na semana passada, ele, o secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, e o chefe da pasta, Eduardo Pazuello, vão se reunir, nesta quinta-feira (8), em Brasília. O encontro deve ocorrer por volta do meio-dia. Posteriormente, representantes do governo paulista participam de outra reunião, desta vez na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Para Gorinchteyn, a insistência na procura pelo governo federal é para que o Brasil não fique no final da fila, se a vacina tiver a eficácia comprovada. “Nada mais justo do que nós já termos um aceno robusto do ministério para a aquisição, para que possamos vacinar o maior número de brasileiros da forma mais rápida. Assim que os testes provarem a eficiência, não teremos só o disparo no preço do imunizante como, seguramente, teremos muitos interessados em adquiri-lo”, explicou o secretário.

“Vacina não deve ser instrumento político”
Quem também conversou com a reportagem, na manhã de hoje, foi o governador João Doria (PSDB/SP). Ele afirmou que os diálogos entre os governos estão acontecendo de forma positiva. “Desejamos seguir construindo pontes com Ministerio da Saúde para viabilizar a vacina do Butantan para mais brasileiros de São Paulo e de outros estados do País. Vacina não deve ser instrumento político.Deve ser instrumento para salvar vidas”, concluiu.

Na semana passada, ele anunciou, em coletiva de imprensa, que assinou o termo de compromisso, com a empresa chinesa Sinovac, de fornecimento de 46 milhões de doses ao estado de São Paulo até dezembro de 2020. O valor do contrato é de US$ 90 milhões. Nele, também há a formalização da transferência de tecnologia para a produção pelo Instituto Butantan.

Até o final do ano, portanto, a Sinovac vai enviar 6 mi de doses prontas e as outras 40 mi serão formuladas e envasadas já por São Paulo. A vacina chinesa tem a imunização completa com duas aplicações, ou seja, as 46 milhões de doses servirão apenas para 23 milhões dos mais de 210 milhões de brasileiros.