Covid-19: Vacina com 50% de eficácia será segura? Médicos respondem

Ex-presidente da Anvisa, Gonzalo Vecina Neto, e infectologista Renato Kfouri comentaram avanços para a vacina contra a doença

Da CNN
10 de outubro de 2020 às 16:23

No início do mês, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informou que poderá aprovar vacinas contra Covid-19 que apresentem estudos com no mínimo 50% de eficácia se não surgirem alternativas dentro do padrão de 70% utilizado normalmente pela agência. A medida vai de encontro à recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Ex-presidente da agência, Gonzalo Vecina Neto explicou à CNN que um imunizante com 50% de eficácia significa que, do número total de pessoas que o receberem, somente metade estará, de fato, protegida.

"Em tese, você pode aceitar uma vacina com até 50% de eficácia porque com esse número se vai produzir imunidade em metade dos imunizados, diminuindo a circulação do vírus, e, provavelmente, chegar ao que chamamos de imunidade de rebanho", disse.

Neto afirmou que a vacina da dengue também foi aprovada com eficácia inferior à adotada pela Anvisa e isso não coloca em risco a segurança e confiabilidade do imunizante.

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Testes focam apenas em imunização à doença

O infectologista Renato Kfouri, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, concorda que uma vacina com 50% de eficácia é segura, pois também é necessário levar em consideração fatores como a faixa etária, por exemplo.

Além disso, ele explicou que o foco da maioria dos estudos da vacina contra a Covid-19 investiga especificamente a eficácia do imunizante contra a doença em si.

"Esses estudos estão sendo desenhados para demonstrar a eficácia sobre doença clínica, ou seja, proteção de Covid. Não vamos ter, em um primeiro momento, informações se [a vacina] evita formas assintomáticas, hospitalizações e mortes. Precisaria mais tempo para conhecer essas eficácias", disse.

Kfouri destacou também que, com tantas vacinas em pesquisa ao mesmo tempo, não haverá certeza sobre a eficácia da primeira que for disponibilizada.

"Se atingirmos o mais alto grau de eficácia possível, não necessariamente a primeira vacina licenciada será a melhor -- ou pode ser que sim. São tantas vacinas hoje em fase final de desenvolvimento, que talvez tenhámos resultados diferentes de eficácia conforme o produto for licenciado."

(Edição: Leonardo Lellis)