Coronavac deve ser comprada pela Saúde se for registrada antes pela Anvisa

A vacina chinesa, desenvolvida pelo Instituto Butantan, pode ser comprada pelo governo caso o registro da Anvisa seja liberado antes dos demais imunizantes

Kenzô Machida e Daniela Lima Da CNN, em Brasília, e em São Paulo
20 de outubro de 2020 às 14:50 | Atualizado 20 de outubro de 2020 às 16:06

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, sinalizou aos governadores e secretários de Saúde com os quais se reunirá nesta terça-feira (20), por videoconferência, que a vacina chinesa, desenvolvida pelo Instituto Butantan, pode ser comprada pelo governo federal caso o registro da Anvisa seja liberado antes dos demais imunizantes.

Segundo apuração da âncora da CNN, Daniela Lima, Pazuello confirmou aos governadores que o medicamento estará disponível em janeiro e que usará a coronavac, vacina chinesa que está sendo testada no Instituto Butantan.

Pazuello disse que a pesquisa chinesa é imprescindível e previu a chegada de uma vacina contra a Covid-19 ao Brasil para janeiro. A vacinação, segundo ele, no entanto, não deve ser obrigatória. 

O repórter Cassius Zeilmann conversou com os governadores Wellington Dias (PT), do Piauí, Helder Barbalho (MDB), do Pará e Ronaldo Caiado (DEM), de Goiás, que foram presencialmente a reunião, e os três se mostraram alinhados ao defender um plano nacional de compra, produção e distribuição das vacinas, com um cronograma definido.

Segundo fontes do governo ouvidas pela CNN, esse aceno do Governo ocorre porque o Ministério da Saúde já havia sido informado pela farmacêutica Astrazeneca que as primeiras doses da vacina só devem chegar ao Brasil no final do mês de janeiro de 2021 e como a expectativa do Instituto Butantan é concluir o registro ainda este ano, a pasta deve adquirir algumas doses até o recebimento do primeiro lote da vacina de Oxford. A equipe técnica do ministério ainda avalia a quantidade de doses que devem ser adquiridas.

De acordo com a apuração da CNN, uma das justificativas que será apresentada na reunião de governadores para uma compra limitada da Coronavac é que o imunizante chinês custa bem mais caro do que a vacina de Oxford, com quem o governo federal já fechou parceria para transferência de tecnologia e de doses. Segundo a fonte, a Coronavac custaria 1/3 a mais do que a dose da Aztrazeneca.

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A sinalização de Pazuello ocorre em meio à disputa pelo protagonismo da vacina contra a covid-19. Nesta semana, o presidente Jair Bolsonaro voltou a afirmar que a vacina contra a Covid-19 não será obrigatória e criticou indiretamente o governador de São Paulo. João Doria já disse que, caso comprovada pela Anvisa, a vacina será compulsória no estado.

Durante o encontro, deve ser apresentada também a expectativa de vacinação no Brasil. A estimativa é que os primeiros imunizados serão pessoas do grupo de risco como idosos e profissionais de saúde. O governo federal ainda trabalha com a ideia de começar a campanha de vacinação assim que o registro for liberado pela Anvisa.

Profissional de saúde segura caixa da Coronavac, vacina contra Covid-19
Profissional de saúde segura caixa da Coronavac, vacina contra Covid-19 da chinesa Sinovac, durante testes em Porto Alegre
Foto: Diego Vara - 8.ago.2020/ Reuters