Na corrida pela imunização, vacina chinesa vira alvo de embate; entenda

Da CNN, em São Paulo
21 de outubro de 2020 às 11:12


Até o momento, nenhuma vacina contra a Covid-19 tem comprovação científica de eficácia. A maior parte delas está na fase de testes de segurança, quando cientistas analisam se não há efeitos colaterais que coloquem as pessoas em risco.

Nesse processo, duas estão mais avançadas: a de Oxford, produzida pela Astrazeneca, e a Coronavac, do laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan.

Na terça-feira (20), o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, anunciou que o governo federal compraria 46 milhões de doses da Coronavac em uma reunião entre governadores, incluindo o de São Paulo, João Doria (PSDB).

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O custo dessa compra seria de US$ 2 bilhões, o equivalente a quase R$ 12 bilhões. Mais um gasto além do que já foi comprometido com a compra da vacina de Oxford e com a Covax - aliança mundial para a produção de vacinas contra a Covid-19.

Mas nesta quarta, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que ela não será comprada. A declaração foi dada em uma rede social em resposta a um apoiador do presidente. 

Uma pesquisa exclusiva da CNN que mostrou que a Coronavac é a que enfrenta maior rejeição entre os brasileiros. O objetivo do levantamento era entender que, se as vacinas já estivessem aprovadas e disponíveis, quais os brasileiros tomariam ou não.

48% dos entrevistados responderam que tomariam a vacina chinesa, mas 46% afirmaram que não tomariam; 6% não souberam responder. A segunda vacina com maior rejeição é a vacina da Rússia: 38% disseram que não tomariam o imunizante Sputnik V; 53% afirmaram que tomariam a e 9% que não sabem.

As vacinas com maior aceitação entre os entrevistados foram as de Oxford e outra que seja desenvolvida pelos Estados Unidos ou Alemanha:  68% das pessoas que participam da pesquisa responderam que tomariam tanto a vacina inglesa quanto americana ou alemã; apenas 22% disseram que não tomariam essas vacinas; e 10% responderam que não sabem.

A pesquisa telefônica CNN Brasil RealTime Big Data entrevistou mil pessoas e tem margem de erro de 3 pontos para mais ou para menos. O índice de confiança da pesquisa é de 95%.