Governo não reaverá recursos se vacina de Oxford falhar


Cassius Zeilmann, da CNN, em Brasília
23 de outubro de 2020 às 13:11 | Atualizado 23 de outubro de 2020 às 14:39

 

O R$ 1,3 bilhão que já foi pago pelo governo federal à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) não volta aos cofres da União, mesmo se a vacina contra o coronavírus não der certo, segundo a própria Fiocruz.

Desse total, quase a totalidade R$ 1,284 bilhão já foi disponibilizado ao laboratório para a produção da vacina de Oxford em parceria com a biofarmacêutica AstraZeneca.

Seringa com vacina
 
Foto: Freepik


 

De acordo com a Fiocruz, o valor encontra-se em execução, sendo utilizado para o pagamento das parcelas da Encomenda Tecnológica (ETEC) e para a aquisição de equipamentos, insumos e contratação de serviços para a implementação dos processos de produção da vacina. 

Dada a corrida internacional pela vacina, a Encomenda Tecnológica foi adquirida mesmo com a possibilidade de a vacina não ser registrada na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A ETEC é um contrato de risco em que a instituição adquire o produto antes do término dos ensaios clínicos previstos. Diferentemente do discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que defende um investimento bilionário somente após a comprovação e a certificação da agência.

"Não se justifica um bilionário aporte financeiro num medicamento que sequer ultrapassou sua fase de testagem", disse o presidente.

Bolsonaro se referia à carta de intenções enviada pelo Ministério da Saúde ao governo de São Paulo para aquisição das 46 milhões de doses da vacina Coronavac, desenvolvida pelo Instituto Butantan com a farmacêutica Sinovac. 

O anúncio da intenção de compra das doses da vacina ocorreu na última terça-feira (20) em uma reunião do Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, com 24 governadores. No dia seguinte, Bolsonaro desautorizou a medida e disse que não iria comprar qualquer vacina sem comprovação científica pelo Ministério da Saúde e certificação da Anvisa.