Covid-19: por que o Reino Unido deve começar a vacinação antes de outros países?

Em entrevista para a CNN, o ex-presidente da Anvisa Gonzalo Vecina Neto destacou a capacidade inglesa para a produção do imunizante

Da CNN
29 de novembro de 2020 às 09:53 | Atualizado 29 de novembro de 2020 às 10:00


O Reino Unido pode começar a vacinar contra a Covid-19 nos próximos dias e será o primeiro país do Ocidente a fazer a imunização. A distribuição será com a vacina desenvolvida pela BioNTech em parceria com a Pfizer.

Segundo o jornal Financial Times, a vacina deve receber autorização da agência regulatória do país e as primeiras doses da vacina devem ser aplicadas no dia 7 de dezembro.

Em entrevista para a CNN Brasil neste domingo (29), o ex-presidente da Anvisa Gonzalo Vecina Neto analisou o fato e afirmou que a agência reguladora do Reino Unido já tem uma "capacidade de produção de vacinas para serem aplicadas", inicialmente pelos trabalhadores da área de saúde.

"Como ela [vacina] estava mais à frente e praticamente não teve nenhum evento adverso, ela conseguiu chegar nesse ponto, de entregar os dados de fase 3 para a 'Anvisa da Inglaterra', que deve, aparentemente, emitir o registro", explicou.

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Médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto analisou a capacidade de produção de vacina do Reino Unido
Foto: Reprodução / CNN

Vecina analisou ainda que essa celeridade se deve, também, à maneira como as doses da Pfizer poderão ser transportadas e armazenadas. "Por quinze dias a vacina pode ser mantida em um container de isopor com gelo seco, ou uma substituição do gelo seco porque ele vai sendo consumido. Com isso, ela se mantém em menos 80 graus em quinze dias. Aí ela passa pela refrigeração - 2 a 8 graus - que é o momento que ela deve ser aplicada".

Normalmente, as vacinas eram autorizadas pela Agência Europeia de Medicamentos até o final da transição do Brexit, em 31 de dezembro. No entanto, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA, na sigla em inglês) tem o poder de autorizar temporariamente os produtos, em casos de necessidade urgente.

Ilustração da potencial vacina contra Covid-19 da farmacêutica Pfizer
Foto: Dado Ruvic/Reuters (30.out.2020)

(Publicado por: André Rigue)