Brasil tem quase 45 mil enfermeiros infectados pela Covid-19

Dois de cada cem profissionais evoluem para óbito, segundo dados do Conselho Federal de Enfermagem

Cleber Rodrigues e Isabelle Resende da CNN, no Rio de Janeiro
17 de dezembro de 2020 às 11:00
Enfermeira com máscara de proteção em hospital
Foto: Adriano Machado - 10.mar.2020/ Reuters 

No último domingo (13), a enfermeira intensivista Mônica Aparecida Calazans se emocionou ao receber o troféu Heroína do Ano, no Prêmio Notáveis, organizado pela CNN Brasil.

"Eu não sei nem se essa palavra, heroína, cabe a mim. Falo por mim, por todos os profissionais de saúde que ainda estão na linha de frente e aqueles que não estão mais com a gente, que tentaram fazer um trabalho perfeito e foram arrebatados pela doença", disse ela.

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A homenagem concedida à enfermeira vem no momento que a classe volta à atenção, mais uma vez, para os riscos que a profissão oferece em tempos de pandemia. De acordo com o observatório do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), do início da pandemia até o dia 16 de dezembro, quase 45 mil profissionais da área já foram infectados pelo novo coronavírus.

Taxa de letalidade preocupa
Além do alto número de casos, o número de mortes também assusta. Segundo o Cofen, de cada cem profissionais de enfermagem infectados, dois evoluem para óbito. Até agora, 469 pessoas da área já perderam a vida para a Covid-19. A taxa de letalidade da doença entre os profissionais é de 1,85%. Os estados de São Paulo e Rio de Janeiro são os que registram o maior número de infectados e de mortes no país.

Conselho alerta para subnotificação da doença
De acordo com o Conselho, os números divulgados pelo Observatório de Enfermagem podem ser bem maiores. Apesar do avanço da doença, nos últimos meses, houve uma redução no número de casos reportados ao Cofen. As notificações são feitas através dos profissionais responsáveis pelo setor de enfermagem em cada instituição privada e pública. O Conselho, entretanto, acredita que essa subnotificação no número de casos possa estar relacionada à desatenção desses profissionais. Por isso, o órgão já prepara uma nova campanha de mobilização para chamar a atenção sobre a necessidade da notificação de casos e de mortes. Os dados são importantes para que se possa fazer uma análise mais precisa de como a doença vem afetando os profissionais de enfermagem, que atuam na linha de frente no combate à Covid-19.

De acordo com o boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde, até o dia 7 de dezembro foram notificados 414.147 casos confirmados de Covid-19 entre os profissionais de saúde da linha de frente, incluindo médicos, enfermeiros e auxiliares. O maior número de casos está entre os técnicos/auxiliares de enfermagem (139.434; 33,7%), seguido dos enfermeiros (62.345; 15,1%), médicos (45.230; 10,9%), agentes comunitários de saúde (21.426; 5,2%) e recepcionistas de unidades de saúde (16.788; 4,1%).

Perguntada sobre a luta dos profissionais de enfermagem na linha de frente contra o novo coronavírus, Mônica Calazans, que já perdeu quatro amigos para a doença, disse: “Você segura a onda e tem que trabalhar. Você tem que segurar o seu psicológico. Na realidade, você não pode se abalar com tudo o que está acontecendo. Você tem que ser muito forte”.