Desafios de produção e entrega de vacinas contra Covid-19 apontam 2021 agitado

A Europa acompanhou o Reino Unido e os Estados Unidos ao dar seu aval à vacina contra a Covid-19 da Pfizer e de sua parceira BioNTech

da Reuters
24 de dezembro de 2020 às 09:42 | Atualizado 24 de dezembro de 2020 às 09:46
Freezers em centro da Pfizer mantém vacinas contra Covid-19 refrigeradas
Foto: Pfizer

Agora que 2020 chega ao fim, a aprovação regulatória de vacinas contra a Covid-19 aumentou a esperança que o mundo conseguirá derrotar a pandemia no próximo ano, mas os desafios de produção e entrega levam a crer que vencer a doença será uma maratona cuja linha de chegada está distante.

Na segunda-feira (21), a Europa acompanhou o Reino Unido e os Estados Unidos ao dar seu aval à vacina contra a Covid-19 da Pfizer e de sua parceira BioNTech. Assim como uma vacina semelhante da Moderna que recebeu aprovação de emergência nos EUA. Ela demonstrou 95% de eficácia em testes amplos.

A aprovação rápida de vacinas apenas um ano após a detecção do novo coronavírus em Wuhan, na China, testemunha o enorme esforço global para se domar uma pandemia que já matou mais de 1,7 milhão de pessoas, devastou economias e virou a vida de pernas para o ar.

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Cientistas identificaram candidatas promissoras depois de somente semanas, e não os anos que normalmente são necessários, e milhões de doses já estão saindo das fábricas.

Mas o progresso chega no momento em que muitos países do hemisfério norte enfrentam um inverno desolador: as infecções estão disparando, uma nova variante de disseminação rápida surgiu no Reino Unido e países de todo o mundo impõem novas restrições a viagens e ao cotidiano.

Já se comprovou que uma terceira vacina da AstraZeneca e da Universidade Oxford evita a Covid-19, mas dúvidas a respeito do nível de sua eficácia as obrigaram a trabalhar mais para convencer algumas agências reguladoras. Apesar disso, os avanços são estonteantes.

"É inédito ter três vacinas em potencial desenvolvidas em um período curto que são todas promissoras", disse Marcel Tanner, presidente das Academias Suíças de Artes e Ciências e membro da Força-Tarefa de Ciência contra a Covid-19 da Suíça.

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As inoculações já começaram no Reino Unido e nos EUA, e remessas também estão a caminho de Canadá, Israel e México. Países da União Europeia disseram que suas vacinações começarão dias depois do Natal, e Suíça e Catar autorizaram a vacina Pfizer/BioNTech no final de semana.

Mas ainda há grandes desafios, entre eles aumentar a produção. A Pfizer espera produzir somente 50 milhões de doses em 2020, metade de sua meta original, cobrindo 25 milhões de pessoas com sua vacina de duas doses. A Moderna prometeu 20 milhões de inoculações nos EUA ainda neste ano, o que atenderá 10 milhões de pessoas.

A fabricação será acelerada em 2021, e a produção combinada pode passar de 1,8 bilhão de doses.