Brasil não deverá ter vacinação antes de fevereiro, diz pesquisadora da Fiocruz

'Cobrindo 60% da população, você para a epidemia, explica Margareth Dalcomo, da Fiocruz

Da CNN, em São Paulo
25 de dezembro de 2020 às 21:26 | Atualizado 25 de dezembro de 2020 às 21:39


Embora vários países no mundo já estejam vacinando contra a Covid-19, o Brasil não deve fazer parte dessa lista tão cedo. A avaliação é da Margareth Dalcomo, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em entrevista à CNN nesta sexta-feira (25).

Para Margareth, o Brasil não fez negociações no timing adequado, quando outros países já estavam tendo conversas com os fabricantes das vacinas.

"A Anvisa só pode registrar um produto que tenha registro em seu país de origem e nenhuma das duas avançadas no Brasil, que são a da Sinovac e da AstraZeneca, têm", afirma. "Então, elas não poderiam ser utilizadas para vacinar a população brasileira", explica. 

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Margareth Dalcomo, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) (25.dez.2020)
Margareth Dalcomo, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) (25.dez.2020)
Foto: Reprodução/CNN

Segundo ela, há seis meses, que foi a época em que os estudos de fase 3 começaram, era necessário uma coordenação mais harmônica e centralizada do governo federal, mas com a anuência e parceria da comunidade acadêmica.

"Isso não aconteceu realisticamente, a impressão que nós temos é que antes de fevereiro ninguém deve ser vacinado no Brasil", prevê.

Com isso, o contágio no Brasil pode levar mais tempo para ser freado, analisa a pesquisadora.