Anvisa não libera vacinas aprovadas fora do país; médico cita burocracia

Infectologista Julio Croda falou à CNN sobre os processos de autorização para uso de imunizante contra Covid-19 no país

Da CNN, em São Paulo
30 de dezembro de 2020 às 08:50 | Atualizado 30 de dezembro de 2020 às 10:39


 A aprovação para o uso da vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pela Universidade de Oxford com a farmacêutica AstraZeneca no Reino Unido é um indicativo de que o Brasil não deve perder oportunidade de agilizar processos por conta da burocracia. A avaliação é do infectologista Julio Croda, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

"Quando as vacinas são aprovadas por essas grandes agências regulatórias, não tem sentido a gente, por conta da burocracia, perder essa oportunidade de agilizar os processos e disponibilizar a vacina o mais rápido possível para a população", disse. "A partir dessa mudança, tudo pode ser mais ágil."

"O mesmo pacote que é enviado para aprovação no Reino Unido também pode ser encaminhado para a Anvisa, são os mesmos documentos necessários para a aprovação. Se foi aprovado lá, as regras aqui são bastante similares e é muito provável que a Anvisa aprove também essa vacina", disse Croda em entrevista à CNN.

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Nesta quarta-feira (30), o Reino Unido se tornou o primeiro país do mundo a aprovar o imunizante da AstraZeneca/Oxford. No Brasil, Croda afirmou que a expectativa para o uso dessa vacina é fevereiro.

"Da vacina da AstraZeneca com Oxford, a Fiocruz tem previsão de entregar algumas doses a partir de fevereiro, mesmo com a aprovação. E São Paulo já anunciou que, se for aprovada, inicia a vacinação em 25 de janeiro. Acredito que uma perspectiva mais aproriada seria começar a vacinação [independente do imunizante] a partir de fevereiro", disse.

(Publicado por Luiz Raatz)

Imunizante da AstraZeneca desenvolvido em parceria com Oxford teve uso autorizado no Reino Unido
Foto: Dado Ruvic - 9.set.2020/Reuters