Nova cepa está disseminando mais em jovens com menos de 20 anos, diz virologista

A cepa B117 do vírus já foi detectada na Inglaterra e em mais de 30 países, como Portugal, Dinamarca, Austrália, Índia, Coreia do Sul e Canadá

Layane Serrano, da CNN, em São Paulo
01 de janeiro de 2021 às 18:04 | Atualizado 01 de janeiro de 2021 às 19:08

 

Pesquisadores do laboratório Dasa anunciaram nessa quinta (31) a identificação da nova variante da Covid-19 em São Paulo. A cepa B117 do vírus já foi detectada na Inglaterra e em mais de 30 países, como Portugal, Dinamarca, Austrália, Índia, Coreia do Sul e Canadá. Segundo o laboratório, a descoberta já foi informada ao Instituto Adolfo Lutz e à Vigilância Sanitária.

Em entrevista à CNN nesta sexta-feira (1º) o virologista e professor da Universidade Feevale no Rio Grande do Sul Fernando Spilki comentou sobre a facilidade de transmissão dessa nova cepa e destacou que a faixa etária que agora está mais se infectando com essa variante do vírus são jovens com menos de 20 anos. 

“No Reino Unido eles estão comparando as taxas anteriores de transmissão dessa nova variante com a taxa de transmissão agora. O resultado é que antes era um pouco abaixo de 1 e agora estão com taxa de 1.3 e 1.7. Essa variação acima, onde mais gente está se infectando a partir de um único caso, é o que traz essa ideia que temos vistos em artigos - no Reino Unido o aumento de casos está entre 50 a 60%. Se lá atrás havia alguma dúvida de que essa nova cepa é mais transmissível, isso parece bastante claro agora”, afirmou o virologista, que coordena o trabalho de 50 pesquisadores em 12 universidades e centros de pesquisa brasileiros para o sequenciamento de variantes no Brasil. 

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Spilki também ressalta que o relaxamento do comportamento social dos mais jovens está abrindo espaço para que o vírus da Covid-19 se evolua e exponha novas classes.

“Os mais jovens não necessariamente são mais suscetíveis a essa variação do vírus, todos na verdade são, mas acaba de sair agora à tarde um artigo da Universidade de Oxford que afirma que todas as faixas etárias são suscetíveis, mas impressiona no primeiro momento que em pessoas abaixo de 20 anos houve um registro importante de casos em uma faixa etária que antes era menos atingida pelo vírus. Isso revela dois alertas: isso não significa que os mais velhos não estão suscetíveis e parece que essa nova cepa se espalha melhor nos mais jovens, o que impactará certamente o retorno das aulas e a campanha de vacinação. O fato é que nós estamos dando espaço, campo livre, para que o vírus fique livre e evolua. Os surtos dessa variante estão relacionados ao relaxamento do comportamento social dos mais jovens. A própria variante da África do Sul parece ter sido muito beneficiada devido às festas de jovens e adultos. Isso é muito preocupante, estamos dando muita chance para que essa transmissão ocorra”, destacou o virologista. 

Questionado se essa nova cepa identificada em São Paulo pode ganhar espaço no resto do país, ele alerta: “Conhecendo o histórico de como as diferentes linhagens se disseminam no país, esse tráfego aéreo é a origem das linhagens que estão ganhando espaço no Brasil. Estamos investigando a geração de novas variações no Brasil também, mas será mais difícil que conseguir conter essa linhagem em São Paulo. O histórico mostra que as linhagens acabam se espalhando pelo país a partir desses polos de importação de pessoas que chegam infectadas”.