Prefeitos do AM relatam sequestro de oxigênio e disseminação de casos no estado

O Amazonas vive colapso na saúde devido à explosão nos casos de Covid-19 após as festas de fim de ano

Caio Junqueira
Por Caio Junqueira, CNN  
15 de janeiro de 2021 às 20:08 | Atualizado 15 de janeiro de 2021 às 20:46

 

Prefeitos do interior do Amazonas relataram à CNN haver casos de sequestro de oxigênio em Manaus, o que tem agravado a já delicada situação dos municípios no Amazonas.

“O colapso da capital atingiu o interior porque estão sequestrando tanques de oxigênio e impedindo que eles saiam para o interior”, disse o prefeito de Parintins, Bi Garcia. 

Ele afirma que nesta sexta-feira (15) havia apenas oxigênio para mais 15 horas de atendimento e que chegou a fretar um avião de Manaus, mas houve um sequestro desse tanque.  

“Sequestraram um tanque nosso e isso aumentou nossos problemas”, disse. Em razão da dificuldade, ele acabou comprando uma usina de oxigênio de uma empresa alemã, que deve entregar o material em poucos dias. Pagou R$ 1,4 milhão pela usina. Parintins tem 115 mil habitantes e fica a 369 quilômetros de Manaus. 

O prefeito diz que soube de outro caso de sequestro de 18 tanques de oxigênio que iriam para Tocantins, que fica a oito horas de barco de Manaus. “Não deixaram a carga sair de Manaus”, disse. 

“Essa onda é um tsunami e é maior do que a de abril e maio”, declarou. Ele afirma que o hospital da cidade tem 120 leitos e está com 90 doentes, mas que o problema mesmo é a falta de oxigênio. 

Na região metropolitana de Manaus, a situação é parecida. “Está terrível e idêntico a Manaus. Muita incerteza e o que tem não garante. Estou buscando galão de oxigênio de porta em porta", disse à CNN o prefeito de Manacaparu, Betanael Dangelo.  

O município tem 97 mil habitantes e há leitos, mas não há equipamentos. Segundo ele, o consumo de oxigênio era de 1.500 metros cúbicos a cada dois dias e hoje a demanda é por 1.800 metros cúbicos por dia. De quinta-feira para sexta-feira, dez pacientes morreram na cidade por falta de oxigênio. 

A região metropolitana de Manaus tem seis municípios: Novo Airão, presidente Figueiredo, Iranduba, Manacaparu, Itacoatiara e Rio Preto da Erva.

Confira a nota do governo do Amazonas:

Por conta dos elevados números de internações de pacientes com Covid-19 no mês de dezembro de 2020, com alta considerável nos primeiros dias de janeiro de 2021, a empresa responsável pelo fornecimento de oxigênio para as unidades da rede estadual de Saúde, a White Martins, informou, no dia 7 de janeiro de 2021, que não teria condições de suprir a demanda crescente. 

O consumo diário de oxigênio, que no primeiro pico da pandemia saiu de 14 mil metros cúbicos para 30 mil em um período de 30 dias, nesta segunda fase cresceu exponencialmente em um curto espaço de tempo. O consumo, que estava na ordem de 30 mil metros cúbicos no dia 31 de janeiro, saltou para perto de 60 mil no dia 8 de janeiro e chegou a 76,5 mil metros cúbicos atualmente, com indicação de demanda crescente.

A produção local da White Martins, segundo dados apresentados pela empresa ao Comitê de Resposta Rápida – Enfrentamento Covid-19, composto pelos governos estaduais, municipais e federais, é de cerca de 28,2 mil metros cúbicos. 

Desde que foi comunicado pela empresa da dificuldade de atender a demanda, no dia 7 de janeiro, o Governo do Amazonas iniciou uma força-tarefa para solucionar o problema, contando com o apoio das Forças Armadas no transporte de oxigênio de plantas da própria White Martins em outros estados para Manaus e também requisitando toda a produção de outras duas empresas que produzem na capital, mas que são de menor porte comparado à principal fornecedora. O Governo também iniciou a prospecção para contratação de mini usinas para os hospitais de Manaus, medida que foi assumida pelo Ministério da Saúde, que está providenciando essa solução. 

No dia 12 de janeiro, foi instalado o Comitê de Resposta Rápida, formado por representantes das três esferas de Governo e as ações foram ampliadas, com o início da cooperação com outros estados para transferência de pacientes e a busca de novas alternativas logísticas para trazer oxigênio de outros locais. Ressalta-se que quanto ao oxigênio, a dificuldade é a logística de transporte, que é complexa devido às peculiaridades do produto, que requer máxima segurança e condições especiais de transporte.

A Secretaria Estadual de Saúde emitiu, dia 14 de janeiro, uma notificação administrativa extrajudicial a 11 indústrias (Gree Eletric, Moto Honda da Amazônia, Yamaha Motor, Eletrolux do Brasil, TPV do Brasil, Whirpool Corporation, Sodecia da Amazônia, Denso Industrial, Caloi Norte, Flextronics International, Cometais Industrias) requisitando eventual estoque ou produção de oxigênio necessário à utilização nas estruturas da rede estadual de saúde para o enfrentamento da Covid-19.