Amazonas: 107 médicos graduados na Venezuela se oferecem para ajudar Manaus

Governador do Amazonas, Wilson Lima, disse que a Venezuela foi o único país a se prontificar a ajudar o estado na crise de falta de oxigênio

Luiz Carlos Pavão, do Estadão Conteúdo
16 de janeiro de 2021 às 15:07 | Atualizado 16 de janeiro de 2021 às 19:14
Paciente é transferido de ambulância para hospital em Manaus
Capital do Amazonas vive colapso em seu sistema de saúde
Foto: Bruno Kelly - 14.jan.2021/Reuters

Diante do colapso do sistema de saúde de Manaus e da falta de oxigênio para suprir a demanda de internações por Covid-19 no Amazonas, 107 médicos graduados na Venezuela se ofereceram para ajudar Manaus, informou neste sábado (16) o ministro de Relações Exteriores do país, Jorge Arreaza.

De acordo com o anúncio, os 107 profissionais da Associação dos Médicos Formados no Exterior (Amfex) se apresentaram na sexta-feira (15) ao consulado venezuelano em Boa Vista, Roraima, para ajudar no atendimento médico aos pacientes acometidos pelo novo coronavírus no Amazonas.

A brigada, que conta com médicos brasileiros e venezuelanos formados na Universidade de Caracas, Venezuela, enviou documento ao governador Wilson Lima (PSC) nesta sexta-feira. No documento, o grupo afirma que "107 médicos residentes no Brasil estão à inteira disposição para prestar o apoio que seja necessário nessa luta contra o coronavírus e a favor da vida humana".

A colaboração do país vizinho vem após, no último dia 14, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, orientar que sua diplomacia atendesse ao pedido do governo do Amazonas para liberar uma carga de oxigênio hospitalar da White Martins produzida no país.

O governador do Amazonas, Wilson Lima, disse que a Venezuela foi o único país a se prontificar a ajudar o estado na crise de falta de oxigênio.

Além da colaboração dos profissionais da saúde, o ministro chavista também comunicou que informou ao governador do Amazonas que neste sábado os primeiros caminhões de cilindro com milhares de litros de oxigênio saem da fábrica do SIDOR, em Puerto Ordaz, para Manaus.

A cidade de Puerto Ordaz, na Venezuela, fica a 1.580 quilômetros da capital do Amazonas. Ainda não há estimativas de quando essa carga chegará ao Brasil.

Embaixada no Brasil critica oferta

Em nota, diplomatas da embaixada venezuelana no país - que são rompidos com o governo de Nicolás Maduro e reconhecidos pelo governo de Jair Bolsonaro (sem partido) - afirmaram que a Venezuela tentou anteriormente colocar profissionais de saúde à disposição do Brasil, mas que, "devido às normas da legislação brasileira sobre homologação de títulos em medicina, a contratação dos mesmos não foi possível".

Segundo o comunicado, que classifica o governo de Maduro como uma "ditadura", os representantes que negociam a vinda dos profissionais ao país "estão usurpando funções e enganando autoridades e pessoas ao se identificarem como 'cônsul' e 'embaixador' da Venezuela no Brasil, quando na realidade, as únicas autoridades venezuelanas reconhecidas pelo governo brasileiro são o ministro conselheiro, Tomás Silva, e a embaixadora María Teresa Belandria".

"Todos os representantes de Nicolás Maduro no Brasil tiveram as suas credenciais suspensas desde o dia 4 de setembro de 2020 e foram declaradas personae non gratae, perdendo assim o seu poder de representatividade perante o Brasil e suas instituições e autoridades", afirma o comunicado.

Além disso, a embaixada venezuelana no Brasil afirmou que não reconhece profissionais formados na Escola Latino-americana de Medicina da Venezuela, de onde viriam profissionais para atender pacientes em Manaus. 

De acordo com o comunicado, na faculdade "a carreira de Medicina é completada em apenas dois anos" e, por isso, caberia às autoridades brasileiras verificá-la.