Vencedora do prêmio Notáveis CNN: saiba quem é a 1ª vacinada no Brasil

A primeira vacinada contra a Covid-19 neste domingo foi uma enfermeira intensivista do hospital Emílio Ribas, Mônica Calazans

André Rosa, da CNN, em São Paulo
17 de janeiro de 2021 às 13:55 | Atualizado 17 de janeiro de 2021 às 21:48

 

 A primeira vacinada contra a Covid-19 no país foi a enfermeira intensivista Mônica Calazans, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas --considerado a maior referência no tratamento de doenças infecciosas na América Latina. Ela foi a vencedora do prêmio Notáveis CNN em 2020 pela sua luta contra o coronavírus.

O nome da primeira imunizada foi revelado pela jornalista Mônica Bergamo e confirmado pela CNN.

O Hospital das Clínicas de São Paulo iniciou a vacinação neste domingo (17) após a aprovação da Coronavac para uso emergencial pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

Mônica tem 54 anos. Mulher e negra, ela é obesa, hipertensa e diabética.

Residente em Itaquera, na zona leste da capital, Mônica trabalha em turnos de 12 horas, em dias alternados, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Emílio Ribas e no Pronto-Socorro de um hospital municipal de São Mateus, também na zona leste de São Paulo.

Em fevereiro de 2015 foi aprovada num concurso público para a área da saúde e aguardava ser chamada. Logo no início da pandemia foi chamada, num regime de emergência, pelo Governo de São Paulo, e teve a oportunidade de escolher o local de trabalho. Optou pelo Emílio Ribas por considerar o hospital como referência.

Mônica foi auxiliar de enfermagem por 25 anos, e se graduou em Enfermagem aos 47 anos. É viúva e mora com o filho, de 30 anos, além de cuidar da mãe, de 72 anos, que vive sozinha em outra casa, no mesmo bairro.

Teve parentes e amigos com o novo coronavírus, mas não esmoreceu e seguiu em frente. Foi da linha de frente e uma das voluntárias da terceira fase dos testes clínicos da Coronavac. Ela recebeu placebo. Nos exames constaram que ela não tem imunidade, proteção contra o vírus. 

 

A enfermeira intensivista Mônica Calazans, escolhida Heroína do Ano
A enfermeira intensivista Mônica Calazans, escolhida Heroína do Ano, se emocionou ao receber o troféu do Prêmio Notáveis CNN 2020
Foto: Renato TK



Heroína do ano

Ao receber o prêmio Notáveis CNN em dezembro do ano passado, em 2020, Mônica se emocionou. "Eu não sei nem se essa palavra, heroína, cabe a mim. Falo por mim, por todos os profissionais de saúde que ainda estão na linha de frente e aqueles que não estão mais com a gente, que tentaram fazer um trabalho perfeito e foram arrebatados pela doença", disse.

No país com o maior número de enfermeiros vítimas da Covid-19 em todo o mundo, ela falou sobre como tem enfrentado a realidade da pandemia. A equipe da premiação acompanhou Calazans antes de ela saber que receberia o troféu.

"Desde o início, eu estou na linha de frente. Eu tenho hipertensão, tenho diabetes e obesidade. Eu não sei por que eu não tenho medo. Não consigo explicar isso. É uma profissão em que você não pode ter medo", contou a enfermeira.

"Você segura a onda e tem que trabalhar. Você tem que segurar o seu psicológico. Na realidade, você não pode se abalar com tudo o que está acontecendo. Você tem que ser muito forte", diz ela, que já perdeu quatro amigos para a Covid-19.

"Eu me considero vencedora, porque desde o início eu estou me dando de peito aberto para cuidar das pessoas. Eu só tenho a agradecer", revelou a enfermeira.

Ao receber o troféu, Calazans dedicou a homenagem a duas colegas de trabalho e ao filho.

"Quero dedicar a duas pessoas em especial. Uma delas é minha chefe, a Marli, enfermeira do Emílio Ribas. E a outra chefe é a Elizabete, enfermeira do outro hospital em que eu trabalho. Elas foram essenciais na minha vida nesse período. São pessoas admiráveis, pessoas ímpares", contou.