Infecção anterior por coronavírus oferece menos proteção contra nova variante

Cientistas afirmam que mutação encontra na África do Sul se espalha até 50% mais rápido e que anticorpos naturais não têm grande eficiência

Tim Cocks e Alexander Winning, da Reuters
19 de janeiro de 2021 às 08:25 | Atualizado 19 de janeiro de 2021 às 10:29
Enfermeira sul-africana cuida de paciente internado após contrair a variante do coronavírus
Foto: Reuters

Infecções anteriores com coronavírus podem oferecer menos proteção contra a nova variante inicialmente identificada na África do Sul, afirmaram cientistas, nesta segunda-feira, embora esperem que as vacinas desenvolvidas ainda funcionem.

Estudos também descobriram que a nova variante se liga com mais força e prontidão às células humanas. Isso ajuda a explicar por que parece estar se espalhando aproximadamente 50% mais rápido do que as versões anteriores, disse o importante epidemiologista sul-africano Salim Abdool Karim.

A variante 501Y.V2 foi identificada por especialistas sul-africanos em genômica no final do ano passado. Ela levou as infecções locais por Covid-19 a um novo pico diário acima de 21.000 casos no início deste mês.

É uma das muitas novas variantes descobertas nos últimos meses, incluindo as encontradas inicialmente na Inglaterra e no Brasil, que deixaram cientistas preocupado que estivessem acelerando a disseminação da Covid-19.

“Estudos de soro convalescente sugerem que os anticorpos naturais são menos efetivos”, disse Abdool Karim, introduzindo a pesquisa, “(mas) dados atuais indicam que a nova variante não é mais severa”.

Cientistas e políticos britânicos expressaram preocupação de que as vacinas atualmente em uso ou em desenvolvimento possam ser menos eficazes contra a variante.

Especialistas falando com um painel virtual na segunda-feira disseram que ainda não havia uma resposta clara à essa pergunta e que os estudos estão em andamento.

Mais cedo, especialistas sul-africanos afirmaram que, uma vez que as vacinas induzem uma ampla resposta imunológica, é improvável que as mutações na proteína spike anulem completamente o efeito.