EUA: Vacinas da Pfizer e da Moderna podem ser misturadas em ‘casos excepcionais’

CDC diz que medida deve ser adotada quando não for possível determinar qual vacina foi usada na primeira dose; ambos imunizantes usam tecnologia mRNA

Da CNN, em São Paulo
22 de janeiro de 2021 às 06:45 | Atualizado 22 de janeiro de 2021 às 07:17
Profissional de saúde prepara aplicação de vacina Pfizer
CDC atualizou recomendações e, agora, diz que vacinas da Pfizer/BioNtech e Pfizer podem ser misturadas em 'situações excepcionais'
Foto: Lucy Nicholson/Reuters

Embora as vacinas contra o novo coronavírus não sejam "intercambiáveis", pode ser aceitável receber doses de imunizantes diferentes, disse o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, em inglês) dos EUA em uma atualização de suas recomendações publicada na quinta-feira (21).

A orientação, que vem em meio a preocupações em torno do fornecimento e distribuição de vacinas, se aplica às vacinas da Pfizer/BioNTech e da Moderna. Ambas usam material genético chamado mRNA como base para suas vacinas.

“Em situações excepcionais em que o produto da vacina da primeira dose não pode ser determinado ou não está mais disponível, qualquer vacina de mRNA contra Covid-19 disponível pode ser administrada em um intervalo mínimo de 28 dias entre as doses”, diz o CDC.

“Se duas doses de diferentes vacinas de mRNA forem administradas nessas situações (ou inadvertidamente), nenhuma dose adicional de qualquer produto é recomendada neste momento”, continua a recomendação.

O CDC diz, porém, que a segurança e eficácia da mistura de vacinas não foram avaliadas. “Todo esforço deve ser feito” para manter o controle de qual vacina as pessoas receberam e garantir que recebam a mesma para a segunda dose semanas depois, dizem as recomendações.

A agência afirma que sua orientação pode ser atualizada à medida que novas informações e novos tipos de vacinas Covid-19 se tornem disponíveis.

Especialistas dizem que alternativa é aceitável

Em entrevista à CNN no início do mês, especialistas afirmaram que a possibilidade da alternância de doses de vacinas contra a Covid-19 não deve ser a primeira opção na aplicação de imunizantes, mas que podem haver exceções em situações de emergência.

"Em um momento como esse, de pandemia, não vacinar pode significar um risco maior do que a aplicação de doses de diferentes produtores. Não é para ser a regra, mas pode ser uma saída nesse caso", disse Renato Kfouri, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) .

"Dois fatores são importantes no estudo da alternância de imunizantes: a segurança e se isso se traduz em uma prevenção melhor", acrescentou.

"Essas possibilidades requerem cuidado por parte dos governos e autoridades sanitárias, mas não há uma restrição"

Dirceu Barbano, ex-presidente da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa)

 

Dirceu Barbano, farmacêutico e ex-presidente da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) também considerou a alternância de doses com vacinas diferentes uma possibilidade bem-vinda no atual cenário da pandemia.

"Em uma situação de normalidade, não seria o cenário ideal. Porém, o objetivo atual é imunizar o quanto antes o maior número de pessoas possíveis, então temos que entender que essas alternativas são sempre bem-vindas", disse Barbano. 

No fim de 2020, pesquisadores britânicos afirmaram considerar a ideia de realizar testes que vão misturar duas vacinas diferentes contra a Covid-19 para ver se a combinação funciona melhor do que uma fórmula única.

Vacinas como as da Pfizer/BioNtech e Moderna, usam partes do material genético chamadas mensageiros RNA ou mRNA para fazer o corpo produzir pedaços sintéticos do novo coronavírus e estimular uma resposta imunológica.

Outras substâncias, como da Johnson & Johnson e AstraZeneca/Oxford, usam um tipo diferente de vírus chamado adenovírus para carregar fragmentos genéticos do novo coronavírus ao corpo. 

(Com informações de Michael Nedelman, da CNN)