Covid-19: aumenta debate sobre imunização com 1 ou 2 doses nos EUA

Autoridades americanas divergem entre si enquanto se tenta aumentar a distribuição e apenas metade das vacinas já entregues foi utilizadas nos estados

Por John Bonifield, da CNN
28 de janeiro de 2021 às 01:13
O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, recebe a segunda dose da vaci
O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, recebe a segunda dose da vacina contra Covid-19
Foto: CNN (11.jan.2021)


 

Apenas metade das vacinas Covid-19 entregues aos estados foram usadas, mostram os dados do CDC, os Centros para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA. Uma possível explicação está surgindo para explicar o que ocorre, à medida em que o país bate recordes de mortes pela doença. 

Os números da distribuição da vacina no país confundiram os observadores por semanas, com estados alegando que precisam de mais vacina quando os dados indicam que ainda têm muitas doses disponíveis.

Autoridades de saúde do presidente Biden tentaram explicar a disparidade na quarta-feira, pelo menos em parte.

 

Falando em uma coletiva de imprensa, a Dra. Rochelle Walensky, diretora dos CDC, disse que nem todas as vacinas que foram entregues aos estados estão disponíveis para "serem inseridas nos braços das pessoas".

O coordenador de respostas da Covid-19 da Casa Branca, Jeff Zients, levou essa explicação um passo adiante.

"Parte do que os estados têm agora é inventário para fazer uma segunda aplicação muito, muito importante", disse Zients. "Acho importante que, ao examinar os estoques do estado, você reconheça que alguns dessas vacinas estão sendo mantidas para uma segunda dose".

As vacinas Pfizer e Moderna Covid-19 atualmente disponíveis para uso emergencial nos EUA requerem duas doses. Um painel federal rastreia a distribuição nacional desses imunizantes. Os dados mostram quantas doses da vacina foram entregues em cada estado, mas não diferencia entre a primeira e a segunda dose.

Considerando a Flórida, os dados federais na quarta-feira mostraram que cerca de 3,1 milhões de doses foram enviadas e cerca de 1,6 milhão delas foram administradas. Isso indica que, até aqui, 50% das doses foram utilizadas. 

Na segunda-feira, o secretário de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, usou números semelhantes para sugerir que a Flórida tinha uma boa dose de vacinas, depois que o governador do estado, Ron DeSantis, alegou que o estado não estava recebendo suprimentos suficientes do governo federal e precisava de mais.

“A Flórida distribuiu apenas cerca de 50% das vacinas que receberam", disse Psaki. "Então, claramente eles têm uma boa quantidade da vacina. ”

Na quarta-feira, DeSantis rebateu os comentários da Casa Branca, explicando que os dados federais não contavam as vacinas destinada a segundas doses.

"Quando a pessoa na Casa Branca diz que a Flórida tem todas essas vacinas, essas são as segundas doses", disse DeSantis.

Outros estados também afirmam que parte de seu inventário de vacinas se destina a uma segunda injeção que ainda será aplicada.

"Quando chega a primeira dose, você pode simplesmente dar a alguém. Quando chega uma segunda dose, precisa ser 21 dias depois para a Pfizer ou 28 dias depois para a Moderna", explica Kristen Ehresmann, diretora de Doenças Infecciosas do Minnesota Divisão para Epidemiologia, Prevenção e Controle.

"Então, sim, recebemos esta vacina e a administramos no intervalo apropriado e pode parecer que estamos acumulando doses ’quando não é o caso."

Em Nova York, o governador Andrew Cuomo começou a expressar os números da distribuição de vacinas do estado em termos de primeira e segunda doses, anunciando na quarta-feira que 96% das primeiras doses alocadas do estado foram administradas, excluindo o programa federal de vacinação de instituições de longa permanência com CVS e Walgreens.

Na terça-feira, Cuomo disse que seu estado estava "basicamente sem vacina", mas naquele mesmo dia o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, que também havia se queixado de estar com falta de imunizantes, disse que a cidade tinha doses destinadas a uma segunda injeção em seu inventário.

De Blasio continuou dizendo que as doses estavam "na prateleira" e "não podem ser usadas por semanas". Ele disse que o presidente Biden deve ordenar aos governos de todo o país que retirem as segundas doses de seus estoques e as usem agora para as primeiras doses.

"Mesmo a primeira dose dá às pessoas cerca de 50% de proteção", disse ele.

Cuomo disse na terça-feira que as segundas doses não estão sendo distribuídas como primeiras doses devido à incerteza sobre a rapidez com que doses adicionais da vacina podem ser feitas.

"O medo é que, até que você realmente saiba qual é o cronograma de produção, se você começar a usar a segunda dose como a primeira, terá que aumentar drasticamente o suprimento, caso contrário, deixará as pessoas sem uma segunda dose ", disse Cuomo.

Não está claro quantos estados têm um inventário de segundas doses, ou quantos estados podem estar lidando com a distribuição de segundas doses de maneira diferente. A Casa Branca e o Departamento de Saúde e Serviços Humanos não responderam imediatamente às perguntas da CNN americana para obter detalhes adicionais.

Em Maryland, o estado não está guardando nenhuma dose de reserva em seus armazéns, exceto as doses a serem administradas naquela semana, de acordo com Charlie Gischlar, do departamento de saúde do estado.

Gischlar diz que Maryland solicitou que o governo federal distribuísse automaticamente as segundas doses aos profissionais que receberam as primeiras aplicações.