Vacina da Johnson & Johnson apresenta eficácia global de 66% de proteção

Em testes apenas nos Estados Unidos, a vacina apresentou uma eficácia de 72% contra doenças moderadas

Maggie Fox , Amanda Sealy e Michael Nedelman, da CNN
29 de janeiro de 2021 às 10:11 | Atualizado 29 de janeiro de 2021 às 11:11

A vacina de dose única contra o coronavírus da Johnson & Johnson apresentou uma eficácia de 66% na prevenção de doenças moderadas e graves, em um ensaio global de Fase 3 e mais de 85% de eficácia contra doenças graves, anunciou a empresa nesta sexta-feira (29).

Em testes apenas nos Estados Unidos, a vacina apresentou uma eficácia de 72% contra doenças moderadas e graves, segundo a empresa.

Os resultados apresentados pela Johnson & Johnson são diferentes das vacinas da Pfizer/BioNTech e da Moderna, que estão no mercado com cerca de 95% de eficiência geral contra o novo coronavírus.

Essa diferença pode fazer as pessoas hesitarem sobre qual vacina tomar. Especialistas, no entanto, dizem que a vacina da Johnson & Johnson ainda será útil contra a pandemia nos Estados Unidos e em todo o mundo.

"Entre todos os participantes de diferentes geografias e incluindo aqueles infectados com uma variante viral emergente, a vacina candidata contra Covid-19 da Janssen foi 66% eficaz em geral na prevenção dos desfechos combinados moderado e grave, 28 dias após a vacinação. O início da proteção foi observada já no 14º dia", disse a empresa em um comunicado.

Johnson & Johnson testa vacina contra o coronavírus

Johnson & Johnson testa vacina contra o coronavírus
Foto: Dado Ruvic/Reuters

A Janssen é o braço de vacinas da Johnson & Johnson.

“O nível de proteção contra a infecção moderada e grave por Covid-19 foi de 72% nos Estados Unidos, 66% na América Latina e 57% na África do Sul, 28 dias após a vacinação”.

"[Nossa vacina] É 85% eficaz na prevenção de doenças graves, que definimos como doenças que fazem você se sentir particularmente mal em casa, ou o obriga a procurar um hospital", disse Mathai Mammen, chefe global de pesquisa e desenvolvimento da Johnson & Johnson, à CNN.

A empresa disse que os resultados ocorreram em todas as faixas etárias e pessoas de várias etnias.

Mammen afirmou que agora trabalha para obter uma autorização de uso emergencial da FDA – equivalente dos EUA à Anvisa brasileira – "dentro de uma semana".

A Johnson & Johnson será a terceira empresa a pedir autorização da FDA para uma vacina contra o novo coronavírus. As vacinas da Moderna e da Pfizer/BioNTech foram autorizadas em dezembro e agora estão sendo aplicadas a milhões de americanos.

Paul Offit, especialista em vacinas da Universidade da Pensilvânia e membro do Comitê Consultivo de Vacinas e Produtos Biológicos Relacionados da FDA, disse que, em circunstâncias normais, pode não haver muito mercado para uma vacina que seja significativamente menos eficaz do que outras duas já no mercado. Mas ele acrescentou que estes não são tempos normais, com uma epidemia grave e escassez de vacinas.

Apesar da eficácia menor, a vacina da Johnson & Johnson também tem suas vantagens, disse Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas.

“Uma vacina que é barata, é uma dose única e não tem requisitos de cadeia de frio – isso é muito bom”, disse ele à CNN.

Além disso, nenhum caso de reação alérgica grave foi observado entre os voluntários, destacou a empresa.

Fauci disse que os resultados pareceriam ainda melhores se a Janssen não tivesse que competir contra a eficácia de 94% e 95% observada nos testes das vacinas Pfizer e Moderna.

"Você sabe qual é o problema? Se não tivéssemos a Moderna com 94-95%, teríamos dito ‘uau, uma vacina 72% eficaz e ainda mais eficaz contra doenças graves é realmente incrível’", disse ele, por telefone.

"Mas agora estamos sempre julgando [novos imunizantes] contra esses 94% a 95%. Dito isso, esta é uma vacina que poderia ser usada especialmente em países em desenvolvimento para manter as pessoas fora do hospital. Tem uma eficácia muito boa contra doenças graves", completou.

Efeito contra novas cepas

Mammen afirmou que a vacina Janssen foi testada depois que novas variantes do coronavírus já estavam circulando. Uma em particular, chamada B.1.135, era dominante na África do Sul quando a vacina foi testada lá. 

Esta variante tem mutações que podem enfraquecer um pouco os efeitos da vacina. Ainda assim, o imunizante foi capaz de proteger as pessoas, afirmou Mammen.

“Olhando para essa variante sul-africana, podemos proteger completamente contra níveis preocupantes da doenças, que poderia fazer as pessoas irem para um hospital”, disse ele.

Além disso, as pessoas não precisam se preocupar em voltar para uma segunda dose.

"Queríamos realmente que fosse uma dose única. Portanto, otimizamos nosso antígeno para obter imunogenicidade suficiente após uma dose, ao invés de duas", disse ele.

Dose única

"Se for uma vacina de dose única, então um bilhão de doses de vacina se traduziriam em um bilhão de pessoas vacinadas", disse Dan Barouch, da Harvard Medical School, que ajudou a desenvolver a vacina.

A Janssen já está testando o seu imunizante com duas doses, o que pode aumentar a eficácia, disse Fauci.

A vacina Janssen é feita de maneira um pouco diferente das vacinas Pfizer e Moderna, que usam material genético bruto chamado RNA mensageiro.

Sua base é um vírus do resfriado comum chamado adenovírus 26, que foi enfraquecido para não se replicar no corpo. Ele é projetado para transportar material genético da proteína spike do vírus – essa é a parte que o vírus usa para se agarrar às células do corpo.

A vacina faz com que as células musculares do braço produzam esses pedaços de proteína spike. O sistema imunológico os reconhece como estranhos e cria uma defesa, portanto, quando um vírus real tenta infectá-los, o corpo está pronto para combatê-los.

(Texto traduzido; leia o original em inglês)