'Isolamento social não significa isolamento afetivo', defende psiquiatra

Mídias sociais podem ser arma para fugir de depressão e ansiedade

Da CNN, em São Paulo
09 de fevereiro de 2021 às 16:11


Com o Brasil liderando em casos de depressão e ansiedade durante a pandemia do novo coronavírus, segundo uma pesquisa da USP feita em 11 países, é preciso estar atento aos sinais e sintomas. O psiquiatra Primo Paganini explica como identificá-los, em entrevista à CNN na tarde desta terça-feira (9).

"Esse estresse que estamos vivendo, medo de ser contaminado, de contaminar alguém, ativa os eixos de estresse, isso acaba lesando o cérebro, os neurônios. Pacientes que já tinham doença mental tiveram piora tanto do quadro de depressão quanto de ansiedade e pessoas que não tinham começaram a apresentar. Tenho notado esse aumento no consultório", afirma.

 

Depressão
Depressão e ansiedade atingem cada vez mais pessoas no país
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

"Uma das maneiras de amenizar isso é usar as mídias sociais para quebrar o isolamento social. Isolamento social não significa isolamento afetivo. Temos que usar os recursos para encurtar o distanciamento. Dormir é muito importante, ter atividade física, criar uma estrutura para se alimentar bem, dormir bem, se hidratar bem e manter o contato com as pessoas", aposta.

Há quem possa parecer bem agora, mas sentir a longo prazo. "O transtorno do estresse pós-traumático pode dar sintomas só depois de 6 meses a um ano, através do aumento da depressão e ansiedade. O término da pandemia não quer dizer que vamos ter um término da taxa de doença mental nas pessoas", alerta.

É preciso ficar atento a crianças e adolescentes. "Humor deprimido, que é mais que tristeza, tira o brilho e a felicidade; a dificuldade ou incapacidade de sentir prazer e a parada da busca de atividades prazerosas são os principais sinais. Insônia, dificuldade para pegar no sono, alteração de apetite, redução cognitiva, no caso de criança e adolescente irritabilidade, isolamento social, indecisão, insegurança, baixa autoestima, em algumas situações pensamentos de morte e ideação suicida. Isso indica que pode estar desenvolvendo um quadro depressivo e precisa de tratamento com psicólogo e psiquiatra".

(Publicado por Sinara Peixoto)