Técnicos vistoriam hospital onde pacientes de Manaus estão internados no RJ

Unidade é especializada em doenças infecciosas e referência para o atendimento a pacientes graves de Covid-19

Thayana Araujo, da CNN, no Rio de Janeiro
09 de fevereiro de 2021 às 17:55


Técnicos da Secretaria Estadual da Saúde do Rio de Janeiro vistoriaram, nesta terça-feira (9), o Centro Hospitalar do Instituto Nacional de Infectologia da Fiocruz, na zona norte da capital fluminense, onde estão internados os 11 pacientes transferidos de Manaus para a cidade nessa segunda-feira (8).

A unidade possui um sistema de filtro Hepa, que evita a contaminação externa e expõe menos ao risco os profissionais de saúde atuantes na linha de frente no combate à pandemia. A unidade é especializada em doenças infecciosas e referência para o atendimento a pacientes graves de Covid-19.

O estado de saúde dos pacientes não foi divulgado pela Fiocruz. A instituição afirmou que as informações são passadas exclusivamente às famílias.

Divergências

No total, a capital do Rio de Janeiro já recebeu 45 pacientes de Manaus, e a mais recente transferência foi novamente contestada pela Secretaria Estadual da Saúde.

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, foi questionado na última sexta-feira (5), durante agenda na Fiocruz, sobre a situação de não comunicação ao estado sobre as transferências, mas não quis comentar o caso.

A Secretaria Estadual da Saúde entregou à Defensoria Pública do Rio de Janeiro os laudos produzidos após vistoria no Hospital Federal do Andaraí, que recebeu cerca de 17 pacientes de Manaus na semana passada. O documento apontou falta de preparo da unidade para internar os pacientes com Covid-19 vindos da capital do Amazonas.

"O estabelecimento assistencial de saúde não apresenta condições satisfatórias do ponto de vista sanitário de qualidade e segurança para o atendimento aos pacientes oriundos de Manaus. Considerando a circulação da nova variante do virus SARS -COV-2, identificada no Amazonas, é de crucial importância a adequação dos processos de vigilância epidemiológica, laboratorial e de assistência segura a estes pacientes e também aos profissionais de saúde do Hospital Federal do Andaraí", alerta um dos trechos do documento da pasta entregue à Defensoria Pública.

Os defensores agora analisam os relatórios e a possibilidade real de ingressar com Ação Civil Pública contra a quantidade de transferências que a capital do Rio de Janeiro recebe.

No último Boletim Epidemiológico, divulgado na sexta-feira (5) pela Prefeitura do Rio de Janeiro, a capital fluminense se manteve com alto risco para contaminação da doença em todas as 33 regiões administrativas.

A Defensoria Pública informou ter dúvidas sobre o estado de saúde dos pacientes que chegaram sem conhecimento prévio do governo fluminense e, por isso, solicitou a cópia integral da vistoria realizada no Hospital Federal do Andaraí, para verificar as condições de atendimento da unidade de saúde.

Os defensores questionam também se os testes realizados nos pacientes tiveram resultado positivo para a nova cepa de Covid-19 detectada no estado de origem e quais medidas adicionais foram e estão sendo adotadas pela Secretaria de Estado da Saúde fluminense para controlar a disseminação da nova variante em território estadual.

A Defensoria pediu para a pasta fortalecer a vigilância da nova cepa e estruturar a rede de assistência com novos leitos, ambulâncias e fornecimento de oxigênio para um possível novo aumento dos casos, de modo a evitar a entrada de novos pacientes no estado em prévia articulação e planejamento com o governo do Rio de Janeiro.