Ocupação de leitos de UTI ultrapassa 80% em 23 estados e no DF

Pelo terceiro dia consecutivo um novo estado ultrapassa a marca de 80% de ocupação; Rio de Janeiro se torna o único estado da região Sudeste abaixo dos 80%

Paloma Souza e Weslley Galzo, da CNN, em São Paulo
12 de março de 2021 às 07:17 | Atualizado 12 de março de 2021 às 21:50

Pelo terceiro dia consecutivo um novo estado brasileiro passou a integrar a lista das unidades federativas com taxas de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) acima de 80%. De acordo com o levantamento feito pela CNN junto às secretarias de Saúde estaduais, já são 23 estados e o Distrito Federal a romperem a faixa de segurança e metade deles registra colapso acima dos 90% de ocupação.

Os novos estados a atingir níveis de alerta em relação à disponibilidade de leitos de internação são Espírito Santo e Minas Gerais, que na madrugada desta sexta-feira (12) atingira 80% e 83% de ocupação respectivamente. O Maranhão caiu abaixo dos 80%.

Agora, apenas três estados estão com índices abaixo do considerado preocupante para a manutenção das atividades e a garantia da saúde dos pacientes. São eles: Rio de Janeiro, Pará, Maranhão.

Os estados e municípios geram os dados a partir de critérios diferentes, como a situação da rede pública e privada, a ocupação de UTI adulta, pediátrica e de Covid-19, assim como a taxa total que reúne todas as informações.

Com Minas Gerais e Espírito Santo na lista de secretarias estaduais em alerta, São Paulo deixa de ser o único estado da região Sudeste a ultrapassar 80% de ocupação. Na tarde de quinta-feira (11), o governo paulista anunciou medidas restritivas ainda mais duras por considerar que a velocidade de criação de leitos de UTI não é compatível com a evolução do vírus. O estado terá até o final de março 9.200 leitos, mesmo assim não foi considerado suficiente para conter a crise sanitária na região.

Em comparação com o último levantamento, Mato Grosso do Sul, que vive a pior crise do país, registrou piora dos indicadores. No dia anterior, o estado da região Centro-Oeste estava com 100% dos leitos de UTI adulto do sistema público ocupados. Com a atualização dos dados, os sul-mato-grossenses avançaram no colapso do sistema de saúde com 101% de ocupação dos leitos públicos de UTI adulto. A taxa revela que pacientes estão esperando para serem internados.

A região Centro-Oeste tem o pior índice de ocupação, apesar da melhora da situação no Distrito Federal que saiu de 95,44% para 82,77%. Goiás (96%) conseguiu diminuir em 1% a taxa de ocupação e o Mato Grosso (96,4%) conseguiu manter estagnada a demanda por internação na rede pública.

Enfermeira trata paciente com Covid-19 na UTI de hospital em São Paulo
Foto: Amanda Perobelli/Reuters (3.jun.2020)

 A região Sul vem logo atrás da Centro-Oeste no colapso do sistema de saúde. Os três estados que formam a região, Paraná (95%), Santa Catarina (96,3%) -- com 99% dos leitos de UTI adulto ocupados -- e Rio Grande do Sul (97,9%) -- que registrou queda de 1% nos indicadores, mas vê o sistema privado colapsar com 129,9% de ocupação --, já exauriram a sua capacidade de rotatividade dos leitos e evoluem lentamente para o esgotamento completo da sua capacidade de internação.

No Norte do país a situação apresenta tendência de melhora em alguns estados e agravamento em outros, o Acre (92,5%) manteve a sua taxa de internação estagnada, Amazonas (82%) reduziu em 1% e o Amapá (86,96%) conseguiu reduzir em 4% os níveis de ocupação. Em contrapartida, Tocantins (94%) piorou em 4% a sua taxa desde o último levantamento.

Rondônia (99,6%) vive a situação mais grave da região, pois em um dia a taxa de ocupação saltou 13% e beira o colapso total, um patamar que o estado conseguiu reverter.

No Nordeste, quatro estados estão em colapso por ultrapassarem a faixa dos 90% de ocupação. Pernambuco (95%), Rio Grande do Norte (93,2%) e Piauí (90,4%) estão com os piores índices da região -- os três últimos com crise ainda mais aguda por contabilizarem os dados com a somatória da ocupação nas redes privada, pública e contratualizada.

A região tem ainda outros quatro estados com taxas de ocupação que ultrapassam 80%, mas que estão em situações mais controladas, em queda, ou em crescimento gradual. São eles: Bahia (88%), Ceará (87,9%), Paraíba (81%) e Sergipe (84,1%). 

Veja os estados com ocupação em leitos de UTI acima de 80%, além do Distrito Federal:

  • Acre - 92,5%
  • Amazonas - 82%
  • Amapá - 86,96%
  • Bahia - 88%
  • Distrito Federal - 82,77%
  • Espírito Santo - 83,84%
  • Goiás - 96,05%
  • Mato Grosso - 96,43%
  • Mato Grosso do Sul -101%
  • Minas Gerais - 80,80%
  • Paraíba - 81%
  • Pernambuco - 95%
  • Paraná - 95%
  • Rondônia - 99,6%
  • Rio Grande do Sul - 97,9%
  • Santa Catarina - 96,3%
  • Sergipe - 84,1%
  • São Paulo - 86.7%
  • Tocantins - 94%

Veja os estados com ocupação em leitos de UTI abaixo de 80%:

  • Maranhão - 79,37%
  • Pará: 79,3%
  • Rio de Janeiro - 73%