Pesquisador do Remdesivir nos EUA diz que OMS errou em orientação para Covid-19

Médico André Kalil integra a equipe que estuda o Remdesvir contra a Covid-19 nos Estados Unidos e falou à CNN sobre a aprovação do medicamento no Brasil

Produzido por Layane Serrano, da CNN, em São Paulo
12 de março de 2021 às 20:05

O médico brasileiro André Kalil, que é pesquisador na Universidade de Nebraska e integra a equipe que estuda o Remdesvir contra a Covid-19 nos Estados Unidos, afirmou, em entrevista à CNN nesta sexta-feira (12), que a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para que o remédio não seja usado contra a doença foi equivocada.

"A OMS fez essa recomendação de não administrar a medicação em função de estudos de baixo rigor científico. Então, infelizmente, o que aconteceu é que a avaliação deles incluiu vários estudos que não tiveram o mesmo rigor científico do que fizemos aqui nos Estados Unidos", disse Kalil.

Em novembro, a OMS atualizou suas orientações sobre os medicamentos contra infecção por coronavírus e desaconselhou o uso do antiviral para tratar pacientes hospitalizados, independentemente da gravidade da doença.

Nesta sexta-feira (12), a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou o uso do Remdesivir contra a Covid-19 no Brasil, assim como os Estados Unidos já liberaram, em outubro, a administração do fármaco em pacientes da doença.

"Quando se mistura estudos de baixo e alto rigor científico, fica difícil interpretar exatamente o que está acontecendo do ponto de vista de eficácia e segurança", explicou Kalil.

"Hoje em dia, sabendo o que sabemos sobre o Remdesivir, é antiético não o administrarmos em pacientes que estão com pneumonia por Covid-19 no hospital"

André Kalil, médico e pesquisador na Universidade de Nebraska

 

O medicamento Remdesivir, fabricado pela farmacêutica Gilead, teve uso aprovado pela Anvisa no Brasil
Foto: Divulgação/Gilead