Bolsonaro e ministros teriam conversado sobre uso de remédio de Covid em testes

A proxalutamida é um fármaco indicado no tratamento de câncer de próstata e de mama e é estudado no tratamento da Covid-19

Basília Rodrigues
Por Basília Rodrigues, CNN  
16 de março de 2021 às 20:45 | Atualizado 17 de março de 2021 às 12:31
O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde Eduardo Pazuello
Remédio foi discutido em almoço que tratou da sucessão de Eduardo Pazuello
Foto: Carolina Antunes/PR (16.set.2020)

O almoço no Planalto em que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tratou da sucessão de Eduardo Pazuello nesta segunda-feira (15) teria tido um outro assunto: o possível uso emergencial de um novo medicamento, ainda em fase de testes, contra o novo coronavírus.

A proxalutamida é um fármaco indicado no tratamento de câncer de próstata e de mama. A CNN apurou que, na sexta-feira (19), técnicos da Anvisa vão se reunir com os responsáveis pelo medicamento.

Recentemente, o medicamento foi testado em estudos clínicos, no Amazonas, pela rede de hospitais Samel, em parceria com a empresa de biotecnologia Applied Biology.

O resultado, apresentado publicamente por pesquisadores na quinta-feira passada (11), foi de que pacientes tratados com o remédio têm um risco 92% menor de morrer pela Covid-19.

Além de Bolsonaro, estavam no almoço, no Palácio do Planalto, o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, o ministro Pazuello e o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

A pedido dos pesquisadores da proxalutamida, o encontro na Anvisa será com a Gerência Geral de Medicamentos e Produtos Biológicos, por onde todos remédios e vacinas contra o novo coronavírus, em fase de testes, precisam passar antes de terem autorização de uso no Brasil.

Procurada pela CNN, a Anvisa confirmou que recebeu pedido de reunião da Simi Consultoria para tratar sobre o medicamento. De acordo com a assessoria da agência, o encontro será na sexta (19), às 14h. Também procurados, o Ministério da Saúde e o Planalto não responderam.