Rio de Janeiro teve quase 40% mais mortes durante um ano de pandemia de Covid-19

De março de 2020 a fevereiro de 2021, estado registrou número recorde desde início da série histórica em 2003, de acordo com Registro Civil

Anna Satie, da CNN em São Paulo
16 de março de 2021 às 15:06
Coveiros sepultam vítima de Covid-19 em cemitério no Rio de Janeiro
Coveiros sepultam em cemitério no Rio de Janeiro pessoa que morreu infectada pelo novo coronavírus
Foto: Ricardo Moraes - 29.mai.2020/Reuters

O Rio de Janeiro teve, de março de 2020 a fevereiro de 2021, mais de 177 mil mortes — um aumento de 39,9% em relação à média e o maior número desde o início da série histórica, em 2003.

Nesse ano de pandemia, foram registrados 177.165 óbitos — 50.536 a mais do que a média nos mesmos períodos em 17 anos. Em relação ao ano anterior, o aumento foi de 21,3%. 

Os números são do Portal da Transparência do Registro Civil, plataforma de dados que mostra nascimentos, casamentos e mortes registrados em cartórios de Registro Civil brasileiros.

O estado teve um aumento mais drástico que o país como um todo. Nacionalmente, foram contabilizadas 1.498.910 mortes, número 31% maior do que a média histórica. Em relação ao ano anterior, o crescimento foi de 13,7%.

De acordo com o Ministério da Saúde, até esta segunda-feira (15), o Rio de Janeiro confirmou 34.330 mortes por Covid-19, o segundo maior total entre os estados brasileiros, atrás somente de São Paulo. 

Fevereiro mais mortal da série histórica

Com o agravamento da pandemia, o Rio também teve o mês de fevereiro com o maior número de mortes da série histórica do estado. Foram registradas 12.467 mortes, quase 3.000 a mais que a média para o mesmo mês desde 2003. 

Na comparação com fevereiro do ano passado, o crescimento foi de 10,8%.

A Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado do Rio de Janeiro (Arpen/RJ), que representa a classe dos Oficiais do Registro Civil, diz que o número de mortes registradas nesses primeiros meses de 2021 pode aumentar ainda, já que pode haver um intervalo de 15 dias entre as mortes e o lançamento do registro no Portal da Transparência. 

(*Com informações de Maria Mazzei, da CNN no Rio de Janeiro)