Hospitais privados do RJ apontam risco de falta de medicamentos para intubação

Ocupação nas UTIs da capital fluminense é de 88%; segundo associação, atendimento para Covid-19 pode ser suspenso

Beatriz Puente*, da CNN, no Rio de Janeiro
25 de março de 2021 às 19:59
Medicamentos para intubação
Foto: Divulgação/AHERJ

Com 88% dos leitos de UTIs da rede privada da capital fluminense ocupados, a Associação de Hospitais do Rio de Janeiro (AHERJ) teme não poder aceitar mais pacientes de Covid-19 nos hospitais por falta de medicamentos como bloqueadores neuromusculares e analgésicos.

A AHERJ emitiu, nesta quinta-feira (25), um comunicado no qual alerta para a escassez dos principais fármacos necessários à intubação e ventilação mecânica. Em todo o estado, a rede particular está com 72% de ocupação para unidades de terapia intensiva.  

O diretor da associação, Graccho Alvin, disse à CNN que a situação já pode ser considerada "crítica" e que não garante atendimento para novos pacientes se a situação não melhorar. A AHERJ tem mais de 130 hospitais associados em todo o estado, sendo cerca de 70 apenas na capital. 

"Não podemos nos comprometer com futuros pacientes se ainda tem gente internada. Precisamos suprir aqueles que já estão internados, cada pessoa necessita de 20 a 30 ampolas de medicamento por dia."

O oxigênio é outro problema que pode atingir o estado nas próximas semanas, Segundo Alvin, o consumo no Rio de Janeiro aumentou 120% no último mês e, mesmo com muitos hospitais que produzem o próprio oxigênio, não há capacidade para expandir a produção.   

"Nunca tivemos uma necessidade tão grande quanto agora.", afirma o diretor.  

Na última terça-feira (23), o Ministério da Saúde enviou mais de 2,8 milhões de unidades de medicamentos de intubação orotraqueal (IOT) para todo o Brasil, em parceria com três empresas fabricantes.

A Secretaria Estadual do Rio de Janeiro informou que o abastecimento está regular. Segundo a nota, a Superintendência de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos (SAFIE) recebeu, nos dois últimos sábados (13 e 20), novas remessas de medicamentos anestésicos, sedativos e relaxantes musculares utilizados no processo de intubação de pacientes. 

 No dia 18, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária informou que iria trabalhar para importar mais rápido os medicamentos para a intubação de pacientes em estado grave. A Anvisa também isentou os remédios de registro sanitário para facilitar a comercialização.

*Sob supervisão de Isabelle Resende