Pesquisa da UFF prevê que Brasil pode chegar a 5 mil mortes diárias por Covid

Pico de óbitos projetados pela Universidade Federal Fluminense pode ocorrer entre abril e maio

Stéfano Salles, da CNN, no Rio de Janeiro
25 de março de 2021 às 11:47 | Atualizado 25 de março de 2021 às 20:49

Uma pesquisa produzida pela Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, Região Metropolitana do Rio, aponta que a pandemia de Covid-19 pode atingir seu estado mais letal entre abril e maio, quando até cinco mil pessoas podem morrer por dia com a doença. O estudo “Detecção precoce da sazonalidade e predição de segundas ondas na pandemia de Covid-19” foi realizado pelo professor Márcio Watanabe, pós-doutor em Epidemiologia e membro do Departamento de Estatística da instituição.

A pesquisa é baseada na evolução da curva de casos e óbitos diários no Brasil e em mais de 50 países, até fevereiro deste ano, e utiliza um modelo matemático-epidemiológico para fazer as projeções. Os dados, de acordo com o pesquisador, apontam para a ocorrência de padrões de comportamento nos vírus respiratórios de acordo com as condições ambientais, com períodos típicos de aumento e redução de casos. Isso é o que os acadêmicos chamam de sazonalidade.

Enterro de vítima da Covid-19 em cemitério Vila Formosa, em São Paulo
Foto: Amanda Perobelli/Reuters (23.mar.2021)

“A transmissão é mais acelerada no outono, começa a subir um pouco antes ou um pouco depois da estação. Por isso, começa a subir em maio, e atingem o pico entre maio e junho no hemisfério sul. Isso acontece também com pneumonia, gripe, até por isso a campanha de vacinação contra a gripe costuma se dar em abril, para evitar o pico quando ele poderia ocorrer. Nós prevemos um pico com algo entre quatro e cinco mil mortos”, afirma Watanabe.

O pesquisador destaca, no entanto, que o estudo é influenciado por uma série de variáveis que podem mudar, como taxa de ocupação de leitos e o ritmo da campanha de imunização contra a doença. “As projeções foram feitas com base no cenário atual, de ritmo lento de vacinação. Se ela for acelerada, a situação muda. Os dados também levam em consideração as novas cepas que já estão em circulação e o colapso do sistema de saúde”, explica o pesquisador.

O avanço da campanha de vacinação não diminui os riscos apenas em termos proporcionais em relação à população protegida: o Plano Nacional de Imunização (PNI) prevê que sejam vacinados antes os públicos de maior risco para a doença. Os especialistas apontam que, como eles são as principais vítimas fatais, com a imunização dessa parcela da população, a tendência é o número de óbitos provocados pela doença diminuir de forma mais acelerada.

No entanto, o pesquisador entende que, passado o pico, a situação vai melhorar nos meses seguintes pela mesma sazonalidade dos vírus respiratórios e pelo avanço da campanha de vacinação.