Fiocruz mostra aumento de mais de 500% nos casos em jovens a partir dos 30 anos

Entidade avalia que sistema de saúde passa por situação de colapso

Camille Couto, da CNN, no Rio de Janeiro
26 de março de 2021 às 19:22 | Atualizado 26 de março de 2021 às 19:23
Jovens se aglomeram na região central de São Paulo
Jovens se aglomeram na região central de São Paulo
Foto: Bruno Rocha/Enquadrar/Estadão Conteúdo (22.jan.2021)

Em meio a situação de colapso no sistema de saúde, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) divulgou um novo boletim do Observatório da Covid-19, nesta sexta-feira (26), que mostra o avanço da pandemia e a contaminação dos pacientes a partir dos 30 anos. 

Ao analisar essas faixas etárias de 30 a 39 anos, 40 a 49 anos e 50 a 59 anos com dados referentes a primeira e segunda semana do mês de março, os pesquisadores observaram um aumento de casos de, respectivamente, 565,08%, 626% e 525,93% -– o que sugere um deslocamento da pandemia para os mais jovens. 

A mudança contribui para o cenário crítico da ocupação dos leitos hospitalares. Por se tratar de população com menos comorbidades – e, portanto, com evolução mais lenta dos casos graves e fatais, demanda frequentemente uma permanência por maior tempo em internação em terapia intensiva.

Vale ressaltar, que desde o início da segunda onda, no período que compreende o dia 8 a 14 de novembro de 2020, os pesquisadores têm se observado um aumento de procura de pacientes jovens sintomáticos nos serviços de saúde.

Segundo Graccho Alvim, da Associação dos Hospitais do Estado do Rio de Janeiro (AHERJ), a ocupação nos hospitais privados chegou a 90% na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) para Covid na cidade e 75% da UTI para Covid no estado na tarde de hoje (26). Já na rede pública, o estado registrou 92,2% na ocupação dos leitos de UTI e 95% na capital. 

Diante desse novo cenário, os especialistas defendem a adoção de medidas interconectados, a começar por medidas urgentes, como a contenção das taxas de transmissão e crescimento de casos através de medidas de bloqueio ou lockdown (pé no freio), acompanhadas de respostas na ampliação da oferta de leitos com qualidade e segurança, bem como prevenção do desabastecimento de medicamentos e insumos. 

No segundo momento, seriam necessárias as medidas de mitigação, com o objetivo reduzir a velocidade da propagação (redução da velocidade). Estas medidas deverão ser combinadas em diferentes momentos e a depender da evolução da pandemia no país até que se tenha 70% da população vacinada.