Brasil pode permanecer em crise devido ao acúmulo de casos de Covid-19 em março

Segundo dados da Fiocruz, apesar da redução de casos em alguns estados, taxa de ocupação de leitos ainda é um fator preocupante

Camille Couto, da CNN, no Rio de Janeiro
07 de abril de 2021 às 07:12
Enterro no cemitério da Vila Formosa, em São Paulo, durante pandemia da Covid-19
Enterro no cemitério da Vila Formosa, em São Paulo, durante pandemia da Covid-19
Foto: Ettore Chiereguini/Agif - Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo (26.mar.2021)

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou nesta terça-feira (6) dados atualizados do coronavírus no Brasil. Pesquisadores alertam que a pandemia pode permanecer em níveis críticos ao longo do mês de abril, prolongando a crise sanitária e colapso nos serviços e sistemas de saúde nos estados e capitais brasileiras.

A análise mostra que o vírus Sars-CoV-2 e suas variantes permanecem em circulação intensa em todo o país. Além disso, a sobrecarga dos hospitais, observada pela ocupação de leitos de UTI, também se mantêm alta.

Segundo o levantamento Observatório da Fiocruz, devido ao acúmulo de casos, diversos deles graves, advindos da exposição ao vírus ainda no mês de março, o vírus permanece em circulação intensa em todo o país. Foi observado ainda um novo aumento da taxa de letalidade, de 3,3% para 4,2%. Este indicador se encontrava em torno de 2,0% no final de 2020. 

O estudo aponta que esse crescimento pode ser consequência da falta de capacidade de se diagnosticar, correta e oportunamente, os casos graves, somado à sobrecarga dos hospitais.

Entre os dias 29 de março e 5 de abril de 2021, as taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no Sistema Único de Saúde (SUS) apresentaram reduções em Roraima (de 62% para 49%), Amapá (de 100% para 91%), Maranhão (de 88% para 80%), Paraíba (de 84% para 77%) e Rio Grande do Sul (de 95% para 90%).

Na direção oposta, destaca-se piora em Sergipe, com a taxa subindo de 86% para 95%. Exceto por essas mudanças, os dados obtidos em 5 de abril de 2021 ainda indicam relativa estabilidade do indicador, em níveis muito críticos, na maior parte dos estados e no Distrito Federal. 

Com base neste cenário, os pesquisadores defendem a adoção ou a continuidade de medidas urgentes, que envolvem a contenção das taxas de transmissão e crescimento de casos através de medidas bloqueio ou lockdown, com o objetivo reduzir a velocidade da propagação.

E ressaltam que ainda que seja fundamental insistir nos esforços para o fortalecimento da rede de serviços de saúde, incluindo os diferentes níveis de atenção e de vigilância, com ampla testagem, compra e ampliação da produção de vacinas, e aceleração da vacinação.

 “É imprescindível ainda garantir condições para que a população possa se manter em casa protegida, limitando a circulação de pessoas nas cidades apenas para a execução de atividades verdadeiramente essenciais”, orientam os pesquisadores.