É preciso evitar ida a hospitais, diz médica sobre riscos da pandemia

A infectologista Rosana Richtmann, do hospital Emilio Ribas, relatou casos de infecções dentro das unidades hospitalares

Produzido por Layane Serrano, da CNN São Paulo
10 de abril de 2021 às 10:51 | Atualizado 10 de abril de 2021 às 10:54

O Brasil registrou nesta semana mais de 4 mil mortes diárias causadas pela Covid-19. De acordo com os profissionais e pesquisadores da saúde, as novas mutações, que estão em alta circulação no Brasil, são mais contagiosas. A médica infectologista Rosana Richtmann, do hospital Emilio Ribas, disse que é preciso evitar idas aos hospitais e prontos-socorros. “Eu tenho visto muita infecção intra-hospitalar de Covid-19", diz.

“A gente tem visto isso direto. Vêm pacientes com outros problemas, como infecção do trato urinário e, em geral, se é um idoso, pode confundir com a Covid-19. E por precaução, primeiro, ele vai para o leito Covid, faz o teste. Quando dá negativo, ele vai para outro setor, e aí ele já correu o risco eventual de ter se contaminado dentro do hospital”, explica.

Segundo Rosana, ela tem procurado acompanhar seus pacientes por telemedicina, a fim de que eles não se exponham ao risco antes de ter a confirmação do diagnóstico.

"O que eu puder manejar fora da área hospitalar, eu tenho manejado, e daí entra a importância da telemedicina e estar próximo do seu paciente. Para você não perder, também, o momento certo de um paciente precisar realmente ir ao hospital”, afirma.

Rosana Richtmann defendeu a necessidade de uma rápida testagem e diagnóstico. 

"Quanto mais rápido eu fizer um diagnóstico e souber que o meu paciente não está infectado com Sars-Cov-2 é melhor, porque aí eu evito que ele se infecte dentro do hospital”.

Risco de trombose

O chefe da UTI do hospital Emílio Ribas, Jaques Sztajnbok, falou à CNN sobre o risco de inflamação em diferentes órgãos ocasionados pela infecção do novo coronavírus. Segundo ele, depois da infecção, há riscos de a doença evoluir ao longo das semanas, mesmo com o vírus já fora do organismo.

“O vírus causa um risco aumentado de evoluir para tromboses, que causa a formação de obstrução de coágulos dentro dos vasos sanguíneos. É por isso que ele pode comprometer todos os órgãos. Temos o pulmão muito comprometido, mas também cérebro, coração, rins, 30 ou 40% desses pacientes evoluem com forma de insuficiência renal a ponto de precisar de hemodiálise”, constata.

De acordo com Sztajnbok, a inflamação tende a aumentar após a primeira ou segunda semana de infecção. "Isso independe da presença do vírus que, normalmente, à esta altura, já está ausente. É como se ele tivesse continuado como desencadeador de um processo que no final é o grande vilão do desfecho desfavorável dos pacientes”, explica.