Senado aposta em fábricas veterinárias para aumentar oferta de vacinas

Indústria acredita ser possível conseguir entregar doses prontas em até 90 dias após terem acesso à tecnologia de produção das vacinas

Iuri Pitta
Por Iuri Pitta, CNN  
16 de abril de 2021 às 16:48
Caixa com doses da Coronavac, vacina distribuída pelo Instituto Butantan
Caixa com doses da Coronavac, vacina distribuída pelo Instituto Butantan contra o coronavírus
Foto: Marlon Costa/Futura Press/Estadão Conteúdo

 

O uso de fábricas de vacinas veterinárias para produção de imunizantes contra o coronavírus é uma das principais apostas do Senado para aumentar e acelerar a disponibilidade de produtos no Brasil.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), tratou do assunto na manhã desta sexta-feira (16) com técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, das fabricantes e com senadores da Comissão Temporária da Covid-19.

O relator do colegiado, senador Wellington Fagundes (PL-MT), é autor de um projeto de lei que autoriza o uso temporário dessas indústrias para produzir vacinas contra o coronavírus. O parlamentar pediu urgência a Pacheco para que o texto seja apreciado pelo plenário do Senado.

A indústria acredita ser possível conseguir entregar doses prontas em até 90 dias após terem acesso à tecnologia de produção das vacinas. Isso significa que essas fábricas - três unidades, localizadas em São Paulo e Minas Gerais - precisariam receber a célula-mãe de uma das vacinas de vírus inativado disponíveis para a proteção contra a Covid-19.

 

No Brasil, a Coronavac utiliza essa tecnologia, cuja patente pertence ao laboratório chinês Sinovac. O Instituto Butantan deve receber a transferência dessa célula-mãe, mas a unidade para produzir o insumo farmacêutico ativo (IFA) ainda está em construção.

Outra opção de vacina, discutida na reunião de hoje, que usa essa tecnologia é a Covaxin, do laboratório indiano Bahrat Biontech. Só que este imunizante ainda não está autorizado para uso no Brasil pela Anvisa.

Tanto Pacheco quanto o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, já sinalizaram favoravelmente à adaptação das fábricas de vacinas veterinárias para aumentar a produção nacional de imunizantes contra a Covid-19.

A Anvisa disse estar aberta à produção de vacina em fábrica veterinária em uma reunião anterior do Senado. A resposta deles hoje foi bem protocolar: "A Anvisa estará presente no projeto, para que seja possível adequar as fábricas interessadas para a produção da vacina. Estaremos trabalhando todos juntos."