Fora das telas, Glenn Close luta contra estigma de doentes mentais

Candidata ao Oscar por seu papel em Era uma vez um sonho, a atriz trabalha nas escolas e comunidades americanas promovendo conscientização sobre o problema

Allie Torgan, da CNN
25 de abril de 2021 às 05:00
A atriz vencedora do Tony, do Emmy e do Globo de Ouro tem um projeto para consci
A atriz vencedora do Tony, do Emmy e do Globo de Ouro tem um projeto para conscientizar as pessoas sobre as doenças mentais
Foto: Getty Images

Glenn Close vai concorrer ao Oscar neste domingo ( 25) por seu papel no filme Era uma vez um sonho (Hillbilly Eleg, no original). Mas, na vida real, a atriz vencedora do Tony, do Emmy e do Globo de Ouro está ocupada procurando conscientizar as pessoas sobre as doenças mentais

Para ela, o assunto é pessoal. “A maioria das famílias está lidando com algum problema de saúde mental”, disse Close à CNN. "Quando minha irmã Jess veio até mim e disse: 'Preciso de ajuda porque não consigo parar de pensar em me matar', foi como um raio."

 Aos 50 anos, sua irmã Jessie foi diagnosticada com transtorno bipolar. Antes disso, o filho de Jessie e sobrinho de Close foi diagnosticado com transtorno esquizoafetivo (Condição de saúde mental que inclui sintomas de esquizofrenia e de transtorno de humor), em 2001.

"Quando olho para trás, vejo alguns traços do sofrimento mental de Jessie quando ela era muito jovem", disse Close. "Ela esfregava os dedos quando estava ansiosa até que ficasse dolorido, às vezes, sangrando. Isso poderia ser um grande sinal de alerta."

A atriz disse que, quando eram pequenas, “não havia vocabulário para isso" porque simplesmente não era algo a ser tratado. À medida que começou a aprender mais sobre o doloroso estigma que carregam as pessoas com transtornos mentais, Close assumiu como uma missão pessoal lutar para acabar com os preconceitos contra as pessoas que sofrem desse problema. 

Projeto em escolas e comunidades

Em 2009, ela abriu uma organização sem fins lucrativos junto com sua irmã Jessie e seu sobrinho Calen chamada Bring Change to Mind, que defende a conscientização e o apoio à saúde mental em escolas e comunidades.

Com o objetivo de fomentar a compreensão e a empatia, o grupo cria campanhas multimídia e desenvolve programas para estimular nos jovens um diálogo cultural diversificado em torno da saúde mental. "É uma doença crônica", disse Close. "Não é quem você é. É algo relacionado a esse cérebro incrível, maravilhoso e frágil que temos, é parte do que é ser humano."

De acordo com a National Alliance on Mental Illness, organização fundada por familiares de pessoas com doenças mentais, um em cada cinco adultos descobre que sofre de doença mental todos os anos, e uma a cada seis crianças de 6 a 17 anos sofre de algum transtorno mental.

A Bring Change to Mind criou clubes em escolas de ensino médio em todo o país nos quais os alunos têm autonomia para falar sobre questões emocionais e sociais, além de todo tipo de assunto relacionado diretamente à saúde mental. Os clubes oferecem um espaço livre de estigma, onde os jovens podem falar sobre o que estão enfrentando e oferecer apoio uns aos outros.

Pandemia x saúde mental

"Agora, especialmente", disse a atriz ao fazer referência à pandemia, "que nossa saúde mental está sob tanto estresse, é preciso encontrar algo que nos conecte de fato Essa necessidade de cuidar dos nossos cérebros nos torna humanos". De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, a pandemia também está associada a desafios de saúde mental.

Os sintomas de transtorno de ansiedade e transtorno depressivo aumentaram consideravelmente nos Estados Unidos entre abril e junho de 2020 em comparação com o mesmo período de 2019, disse a agência americana.

Durante a pandemia, a Bring Change to Mind não baixou a guarda e continuou realizando reuniões, dessa vez, pelo Zoom. Close disse que compareceu a várias delas. "As crianças são incríveis. Elas falam tão abertamente. Isso realmente promove um senso de comunidade, mesmo que elas estejam em diferentes lugares do país."

Indicada ao prêmio de melhor atriz coadjuvante, Close estará mais uma vez em destaque. Mas, para ela, mais importante do que o reconhecimento de seus pares é o reconhecimento da crise de saúde mental pela qual passamos, e a luta para acabar com o estigma que muitas vezes está associado às doenças mentais. 

"Lembro-me de quando era pequena, 'câncer' era uma palavra terrível. Se você tinha câncer, tinha um grande estigma estampado na testa", disse Close. "Agora, acho que a saúde mental precisa da mesma normalização. Precisamos falar sobre nossa saúde mental com a mesma facilidade com que falamos sobre nossa saúde física. E precisamos conseguir financiamento em todos os níveis."

(Texto traduzido. Leia o original, em inglês)