Brasil pode ser autossuficiente em produção de vacinas, dizem especialistas

Fabricação local proporcionaria independência da oferta de doses nos mercados internacionais

Produzida por Layane Serrano, da CNN São Paulo
02 de maio de 2021 às 20:51 | Atualizado 02 de maio de 2021 às 21:18

A produção nacional de insumos para a fabricação das vacinas contra a Covid-19 pode ser a forma que o Brasil terá de conseguir imunizar sua população, já que os imunizantes ainda são escassos para serem aplicados no mundo, e as remessas contratadas pelo governo sofrem atrasos.

A avaliação é de Sue Ann Costa Clemens, professora da Universidade de Oxford e responsável pelos estudos clínicos da vacina de Oxford no Brasil, e Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), em entrevista à CNN neste domingo (2). 

"Produzindo vacina no Brasil, não ficamos à mercê do mercado internacional. Esse será nosso cenário de conforto, o país pode ser autossuficiente em vacina contra a Covid-19, avaliou Isabella.

Sue ressaltou a importância para o futuro de dominar a tecnologia para a fabricação de vacinas localmente. "É um legado infinito. Não só para um primeiro momento. Se for preciso dar um reforço daqui a um ano, isso nos garante autonomia e pioneirismo. E quiçá poderemos ajudar o mundo, depois que vacinarmos nossa população. Existem inúmeros países pobres que ainda não receberam vacinas suficientes".

Sue Ann Costa Clemens e Isabella Ballalai (02.Mai.2021)
Sue Ann Costa Clemens, professora da Universidade de Oxford e responsável pelos estudos clínicos da vacina de Oxford no Brasil, e Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) (02.Mai.2021)
Foto: Reprodução/CNN

 

As especialistas também comentaram sobre a negativa da Anvisa em importar a vacina Sputnik V. "A Anvisa é uma das agências mais respeitadas. Ela requisitou mais documentos, vamos esperar. A decisão foi muito acertada", afirmou Sue.

Isabella concordou, reafirmando a importância da vacinação com segurança."Se não temos  dados que possam dar tranquilidade em aplicar a vacina, isso pode gerar insegurança, medo da vacina e não adesão. Tenho esperança de que a Rússia apresente os dados necessários", concluiu.