Dimas Covas diz que Butantan pode não ter mais vacinas após o dia 14

O diretor do Instituto Butantan criticou a falta de diplomacia do governo federal em relação à China, que fornece insumos para a produção dos imunizantes

Tainá Falcão, da CNN, em São Paulo
06 de maio de 2021 às 10:45 | Atualizado 07 de maio de 2021 às 09:43
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O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou nesta quinta-feira (6) que não deve ter mais doses da vacina Coronavac a partir de 14 de maio. Ele atribuiu o atraso na chegada do insumo farmacêutico ativo (IFA), fundamental para a produção dos imunizantes, à postura do governo federal com a China, principal fornecedora dos insumos.

Dimas Covas reclamou da falta de diplomacia do governo federal com o país asiático e demonstrou preocupação com o impacto de declarações recentes de ministros e do próprio presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre o país.

"Existe dificuldade. Há uma burocracia mais lenta e há autorizações reduzidas de volumes [do IFA]. Essas declarações têm impacto, e ficamos a mercê. Não vamos ter, de fato, condições de entregar. Pode faltar? pode faltar. E temos que debitar isso, principalmente, do governo federal, que tem remado contra", disse.

De acordo com o Butantan, o envase dos imunizantes não está suspenso e o setor segue processando doses da vacina contra a gripe. 

Segundo o instituto, as 4,1 milhões de doses da vacina contra o coronavírus que serão entregues na próxima semana ao Ministério da Saúde já passaram pelo envase e, neste momento, encontram-se em inspeção de controle de qualidade para liberação. 

Já os insumos necessários para a produção da Coronavac, que deveriam ter chegao na segunda quinzena de abril, devem chegar até o dia 15 deste mês. Com isso, o envase de doses da vacina contra a Covid-19 será retomado. 

A reportagem da CNN questionou Dimas Covas sobre a possibilidade de atrasos no cronograma. “Pode não ter mais vacinas para maio”, disse. Ele chegou a enviar uma mensagem a um conselheiro do embaixador da China no Brasil demonstrando “preocupação” com as declarações recentes do governo Bolsonaro.

À tarde, o Instituto Butantan emitiu nota sobre o assunto.

"Todas as 46 milhões de doses relativas ao primeiro contrato entre o Butantan e o Ministério da Saúde serão completadas até a próxima quarta (12). Depois, o Butantan inicia a entrega de mais 54 milhões de doses até o dia 30 de agosto, totalizando 100 milhões de unidades contratadas até agora para a campanha contra a COVID-19 em âmbito nacional. As novas doses são produzidas a partir de 3 mil litros de insumos recebidos no dia 19 de abril. A matéria-prima passou pelo envase, rotulagem, embalagem e inspeção de qualidade no complexo fabril na capital paulista.
A direção do Butantan está em tratativas com a biofarmacêutica chinesa Sinovac, para a chegada de mais um carregamento de matéria-prima. A expectativa é que a nova carga seja enviada ao Brasil até o próximo dia 15", diz o instituto.

Na quarta-feira (5), Bolsonaro voltou a insinuar que o coronavírus poderia ter sido criado pela China. “Nós ficamos à mercê dessa situação porque não vamos ter, de fato, até dia 14. Após isso pode faltar”, disse Dimas.

Nesta quinta-feira (6), o Ministério da Saúde recebeu mais uma remessa com 1 milhão de doses da Coronavac. Na semana que vem, serão mais 3 milhões de doses. O último lote está previsto para o dia 14, com mais um 1,1 milhão de doses do imunizante.

A próxima remessa de IFA deveria ser autorizada entre os dias 10 e 13 deste mês. O prazo, segundo Butantan, pode não ser cumprido, o que impossibilitaria produção de novas doses para o mês de maio.

Por conta de atrasos no recebimento de IFA, o Butantan precisou atrasar o cronograma de entrega das 46 milhões de doses contratadas pelo Programa Nacional de Imunização (PNI) para até o final de abril.

A próxima remessa, de 54 milhões de doses, tem previsão de entrega para até setembro. O governo de São Paulo chegou adiantar o cronograma para agosto, mas hoje admitiu que “não se pode mais falar em antecipação.” A CNN entrou em contato com o Ministério da Saúde e das Relações Exteriores e aguarda posicionamento.