Aprovar visitas a pacientes com Covid-19 é medida de risco, diz infectologista

À CNN, Renato Grinbaum fez ressalvas sobre a medida publicada no Diário Oficial Municipal do Rio de Janeiro

Amanda Garcia, da CNN Rádio
20 de maio de 2021 às 11:19
Leitos de UTI para pacientes da Covid-19 do Hospital Regional Norte no Ceará
Leitos de UTI para pacientes da Covid-19 do Hospital Regional Norte, em Sobral, Ceará
Foto: Tatiana Fortes/Governo do Ceará (15.jul.2020)

Em entrevista à CNN nesta quinta-feira (20), o infectologista Renato Grinbaum se mostrou contrário à aprovação de visitas de familiares completamente imunizados a pacientes com Covid-19 internados em hospitais. No Rio de Janeiro, a resolução foi publicada nesta semana no Diário Oficial do Município.

Grinbaum destacou que, mesmo vacinada com as duas doses, a pessoa ainda pode transmitir a doença causada pelo novo coronavírus.

“[O encontro] traz benefício para o paciente, mas o que é mais grave: uma pessoa com contato por mensagens por vídeo ter algum tipo de conforto ou ter a situação de que um familiar vai visitar, adquire a Covid e transmite? É meio óbvio, devemos priorizar a segurança mais do que o conforto, lamentavelmente”, avaliou.

Ele destaca que é essencial ter certeza de que a pessoa internada não está mais transmitindo o vírus. “Numa forma grave, o mínimo é 14 dias e depois pode fazer exames sequenciais para ver se continua transmitindo, se dois exames voltarem negativos, podemos dizer que não está transmitindo mais.”

Mesmo assim, o médico faz um alerta. “Se a pessoa não é mais transmissora e dentro do hospital é possível manter os protocolos, a gente pode flexibilizar, mas ainda assim é uma medida de risco para a população”, disse.

As vacinas contra a Covid-19 garantem proteção porque previnem a doença, especialmente nas formas graves, reduzindo as chances de morte e internações.

Embora não impeçam o contágio e nem a transmissão do vírus, a vacinação é essencial, já que induz o sistema de defesa do corpo a produzir imunidade contra o coronavírus pela ação de anticorpos específicos, segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).