Autonomia não isenta médicos da responsabilidade, diz diretora da Amib

"Escolhas dos médicos precisam ser baseadas em preceitos técnicos, científicos e atuais", disse a diretora da Associação de Medicina Intensiva Brasileira à CNN

Da CNN, em São Paulo
03 de junho de 2021 às 16:53 | Atualizado 03 de junho de 2021 às 17:02
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Em entrevista à CNN, a médica e diretora-presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), Suzana Lobo, afirmou que a autonomia médica não isenta os profissionais de saúde das responsabilidades por suas escolhas.

O tema tem sido recorrente na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia. Uma das frases ditas pela infectologista Luana Araújo, ouvida pelos parlamentares na quarta-feira (2), foi que "autonomia médica não é licença para experimentação".

A especialista -- que foi anunciada em maio para o cargo de secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, mas cuja nomeação foi cancelada dez dias depois --, se referiu à recomendação de medicamentos sem eficácia contra a Covid-19, como a hidroxicloroquina e a ivermectina.

"Sem dúvida, a autonomia médica deve ser defendida, contudo, as escolhas do médico precisam ser baseadas em preceitos técnicos, científicos e atuais", disse Lobo.

"Temos que estar atentos aos benefícios e riscos das medicações e não podemos usar aquelas que não funcionam."

A diretora-presidente da Amib também alertou para a situação atual da pandemia no Brasil e disse que o reflexo do feriado de Corpus Christi deve se mostrar em torno de 14 dias. 

"O que nos preocupa muito é que estamos partindo de um patamar muito alto de casos, leitos ocupados, o sistema já saturado, profissionais exaustos e os estoques de medicamentos em níveis muito críticos."

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