Vacinas da Janssen chegam na terça e devem ser usadas em capitais, diz Saúde

Imunizante é feito pela farmacêutica da Johnson & Johnson e exige apenas uma dose para imunização completa; lote terá 3 milhões de unidades

Juliana Elias, da CNN, em São Paulo*
12 de junho de 2021 às 18:56 | Atualizado 12 de junho de 2021 às 19:38

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, informou em coletiva neste sábado (12) que o Brasil receberá na próxima terça-feira (15), pela manhã, um lote de vacinas contra a Covid-19 da Janssen, farmacêutica da Johnson & Johnson, conforme havia adiantado mais cedo a analista da CNN Raquel Landim

O carregamento a desembarcar na próxima semana terá 3 milhões de doses e faz parte de um contrato para 38 milhões de unidades do Brasil com a Johnson, a serem entregues até dezembro. Devido ao prazo de validade mais curto, as doses recebidas serão destinadas a capitais --"assim temos mais agilidade em entregar essas doses à população brasileira", afirmou Queiroga.

Diferentemente das demais vacinas que já estão sendo usadas no Brasil, que só garantem segurança após a segunda dose, as aplicações da fabricante da Johnson & Johnson exigem apenas uma dose para imunização completa. Queiroga também destacou que o lote foi negociado com um desconto de 25% em relação aos valores anteriores. "Isso ocasionou uma economia de R$ 480 milhões", disse. 

Com prazo de validade inicialmente previsto em 12 semanas, os imunizantes da Janssen tiveram recentemente o tempo de uso ampliado pela FDA, a agência de vigilância sanitária dos Estados Unidos, para 18 semanas.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve fazer o mesmo no Brasil, de acordo com o ministério, o que dá oficialmente mais tempo para que o país consiga distribuir e aplicar dentro do prazo as doses recebidas. 

Vacina da Janssen, farmcêutica da Johnson & Johnson
Foto: Kevin David/A7 Press/Estadão Conteúdo

"A Anvisa está discutindo a possibilidade de ampliar o prazo de validade das vacinas [da Janssen], embora entendamos que isso não vai ser necessário, porque confiamos no Programa Nacional de Imunização e na capacidade que temos de vacinar toda a população brasileira", disse Queiroga. 

Os imunizantes da Janssen, de acordo com o ministro, têm 85% de eficácia na prevenção de formas severas da Covid-19, além de evitar completamente casos de hospitalização e óbito pela doença.

As doses enviadas ao Brasil virão da unidade da Johnson em Baltimore, nos EUA, a mesma planta onde foram registrados problemas de contaminação que levaram a FDA a pedir que a farmacêutica descartasse cerca de 60 milhões de doses da vacina. Queiroga disse, no entanto, que a vinda das vacinas ao Brasil foi autorizada pela agência norte-americana e que, portanto, elas são seguras.

"As autoridades sanitárias americanas são rigorosas e a nossa Anvisa também, de tal maneira que podemos atestar que é algo seguro e que o brasileiro poderá usar essas doses com segurança", garantiu o ministro.

Copa América

Queiroga também falou na entrevista sobre a Copa América e afirmou que a abertura do evento, neste domingo (13), não será adiada: "Acontecerá a partida normalmente", disse. 

Após 12 integrantes da seleção da Venezuela testarem positivo para covid-19, a Conmebol alterou o regulamento para permitir a convocação de outros jogadores a qualquer momento, informou o Ministério da Saúde. Já sobre casos de Covid-19 na seleção da Bolívia, a pasta disse que a grande maioria são assintomáticos.

O presidente da comissão de médicos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Jorge Pagura, também participou da coletiva ao lado do ministro e secretários da pasta da Saúde.

De acordo com Queiroga e Pagura, todos os jogadores e membros das equipes técnicas que chegarem ao Brasil deverão ser testados para detecção do coronavírus novamente por laboratórios associados, antes das partidas, mesmo apresentando testes com resultado negativo ou positivo feitos antes do embarque. 

Eles também afirmaram que, em caso de confirmação positiva, todos deverão ficar em quarentena antes de voltar a deixar o país. "Todos os atletas que testarem positivo só saem do Brasil após cumprirem quarentena e tendo o exame negativo para que, quando retornem aos seus países, não exista a possibilidade de levar algum vírus adquirido no Brasil, por exemplo", disse Queiroga.

*Com Estadão Conteúdo e Reuters