Líderes de pesquisa com Coronavac no Chile recomendam terceira dose da vacina

Estudos com voluntários mostraram que os níveis de anticorpos diminuíram após seis meses

Aislinn Laing, Reuters
15 de julho de 2021 às 19:57 | Atualizado 15 de julho de 2021 às 19:58
Produção de vacina Coronavac no Butantan
Produção de vacina Coronavac no Butantan -22/1/2021
Foto: Amanda Perobelli/Reuters

Os líderes de uma pesquisa chilena em estágio avançado sobre a vacina contra Covid-19 Coronavac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac, recomendaram nesta quinta-feira (15) uma terceira dose do imunizante, dizendo que estudos com voluntários mostraram que os níveis de anticorpos diminuíram após seis meses.

Os líderes do estudo disseram que um ensaio in vitro para determinar a eficácia da vacina contra a mais contagiosa variante Delta do vírus mostrou uma redução de quatro vezes no efeito neutralizante contra a cepa, em comparação com uma redução de três vezes relatada anteriormente por cientistas chineses.

Alexis Kalergis, professor da Universidade Católica do Chile e diretor do Instituto Millennium de Imunologia e Imunoterapia do Chile, que realizou o ensaio clínico com 2.000 participantes, disse que seis meses depois da administração da segunda dose, menos de 3% contraíram Covid-19.

Ele afirmou que os participantes que tomaram doses com 28 dias de intervalo tinham "imunidade mais sólida" do que aqueles que receberam doses administradas com 14 dias de diferença.

Embora todas as vacinas aprovadas para uso tenham demonstrado manter a proteção contra as variantes do vírus, disse Kalergis, uma terceira "dose de reforço" é recomendável para fornecer melhor proteção, afirmou.

"A diminuição natural dos anticorpos após a vacinação destaca a necessidade de fortalecer a imunidade com doses de reforço para compensar e ampliar a neutralização do vírus", disse.

O Chile apostou fortemente na Coronavac, utilizando-a para implementar uma das campanhas de vacinação mais rápidas do mundo. Até o momento, o país já aplicou 18,1 milhões de doses da Coronavac, além das vacinas desenvolvidas pela Pfizer-BioNTech, AstraZeneca e Cansino, imunizando 76% de sua população adulta.

A Coronavac também é a segunda vacina mais usada na campanha de imunização contra a Covid-19 no Brasil, sendo responsável por quase 40% de todas as doses aplicadas no país. A vacina é envasada no país pelo Instituto Butantan.

Muitos países, da China à Indonésia, dependem fortemente das vacinas chinesas para a inoculação contra Covid-19, mas há dúvidas se elas fornecem proteção suficiente contra a variante Delta.

O porta-voz da Sinovac Liu Peicheng disse à Reuters que os resultados preliminares baseados em amostras de sangue dos vacinados com o imunizante da empresa mostraram uma redução de três vezes no efeito neutralizante contra a Delta.

A equipe de pesquisa chilena informou que seus próprios testes de laboratório para determinar a resistência da vacina à variante Delta mostraram uma redução de quatro vezes no efeito neutralizante.