A pandemia segue como emergência de saúde pública, diz vice-diretor da OPAS/OMS

À CNN, Jarbas Barbosa ressaltou que queda de casos no Brasil, por conta da vacinação, dá falsa impressão de controle da pandemia

Produzido por Layane Serrano, da CNN São Paulo
17 de julho de 2021 às 13:46

O Brasil registra 32 casos e 5 mortes pela variante Delta, originária da Índia, da Covid-19. As mutações são um dos principais desafios no mundo para o controle da pandemia. É por isso que a Organização Mundial de Saúde fez um alerta dizendo que é preciso manter as medidas necessárias para evitar a contínua propagação da doença pelo mundo.

“A pandemia segue como emergência de saúde pública", afirmou o vice-diretor geral da OPAS/OMS, Jarbas Barbosa, à CNN. Barbosa avalia que este momento de um começo de redução de casos no Brasil, em consequência do maior volume de vacinação, dá uma falsa sensação de que a pandemia esteja perto do fim. 

"Com o aumento da vacinação, começa a redução de casos, as pessoas têm uma falsa sensação de que a pandemia acabou e logo em seguida a gente vê um incremento de casos. Isso aconteceu no Chile, Uruguai e acontece em alguns locais dos Estados Unidos.”

Jarbas Barbosa vive nos Estados Unidos e conta que diversos locais estão enfrentando, neste momento, o que eles chamam de "pandemia dos não-vacinados". 

"Está crescendo muito o número de casos aqui entre os não-vacinados. As hospitalizações  cresceram em 30% em uma semana. Isso pode ocorrer no Brasil, pode ocorrer na América-Latina como um todo, e no mundo", diz o vice-diretor da OPAS.

O Brasil chegou hoje ao sexto mês de vacinação contra a Covid-19. Ao todo, 32,8 milhões de pessoas foram imunizados no país - com duas doses ou com a vacina de dose única: o montante corresponde a 20,6% da população adulta nacional. Com isso, Barbosa diz que a campanha ainda é insuficiente e requer a manutenção das medidas restritivas.

“A vacinação está progredindo [no Brasil], o que é uma excelente notícia, mas ela ainda está longe de alcançar os níveis que nós precisamos para controlar a transmissão. Então, é muito importante manter as medidas de saúde pública, o uso de máscara -- que é a medida mais efetiva de se proteger --, e evitar aglomerações.”

A OPAS considera que a pandemia só chegará ao fim quando tivermos a transmissão controlada no mundo inteiro. Ele diz, ainda, que alguns especialistas não consideral possível a total erradicação dos casos em um curto espaço de tempo, "mas que pelo menos se reduza de tal maneira -- quando a gente alcançar uns 80%, 85 ou 90% da população mundial vacinada --, que o número de casos seja esporádico, que não interfira na saúde pública, nem na vida da sociedade. Aí sim a pandemia terá terminado", conclui.