Estados e especialistas divergem sobre antecipar segunda dose de vacina

Pelo menos nove estados reduziram o intervalo entre as aplicações com a AstraZeneca e a Pfizer

Anne Barbosa, da CNN, em São Paulo
17 de julho de 2021 às 00:02

A antecipação da segunda dose das vacinas da Pfizer e da AstraZeneca tem sido motivo de divergência entre estados e especialistas. O intervalo recomendado pelo Ministério da Saúde é de 12 semanas. 

De acordo com a Agência CNN, Acre, Roraima, Goiás, Piauí, Pernambuco, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul decidiram reduzir o período entre as aplicações, variando de quatro a 10 semanas. Já o Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal desistiram da adoção de um tempo menor.

A principal preocupação dos estados que realizaram a antecipação é com a variante Delta, identificada pela primeira vez na Índia, e com aqueles que não completaram a imunização. Cerca de 3,5 milhões de pessoas não voltaram aos postos para receber a segunda dose.

Segundo o epidemiologista e professor da FCMSCSP José Cassio de Moraes, é cedo para pensar na redução do intervalo entre doses porque o país ainda está com a vacinação atrasada. Ele também ressalta que não há nenhuma base científica garantindo que a medida vai atuar contra a nova cepa.

Já a infectologista do Instituto Emílio Ribas Rosana Richtmann considera a ação uma boa decisão a depender do local em que se é aplicada. "Quem já conseguiu cumprir a vacinação básica da população adulta com a primeira dose, não tenho dúvida que é muito interessante diminuirmos o intervalo e começarmos com oito semanas", afirmou à CNN.

"Isso vai depender de qual situação cada uma das capitais que estão tomando essa atitude está em relação à primeira dose", completou.

Profissional da saúde com doses da vacina Pfizer; imunizante começou a ser distribuído no Brasil no início de maio
Foto: Divulgação/Ministério da Saúde