Rio de Janeiro tem 23 casos da variante Delta, diz secretário municipal de Saúde

Número era de 7 pessoas até a manhã deste sábado. Secretaria fará rastreamento epidemiológico de novos casos, afirmou Daniel Soranz em entrevista à CNN

Camille Couto, Giovanna Galvani e Julyanne Jucá, da CNN, em São Paulo e Rio de Janeiro
17 de julho de 2021 às 15:32 | Atualizado 17 de julho de 2021 às 16:28

O secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro Daniel Soranz afirmou, em entrevista à CNN neste sábado (17), que a cidade já tem 23 casos de contaminação pela variante Delta da Covid-19 confirmados. Até a manhã de hoje, o número era de 7 pessoas.

"A gente tinha uma hipótese que a variante P1, a gama, seria mais forte que a variante Delta, mas a gente vê que isso não está acontecendo. A variante progride aqui no Rio de Janeiro com velocidade bastante grande", afirmou Soranz. 

O secretário afirmou que o município monitorava, até esta manhã, oito pacientes com a Delta que já haviam se recuperado e testado negativo para o vírus. Agora, a secretaria irá acompanhar o restante dos casos. Três deles ainda estão com o vírus ativo e cumprem isolamento social.

Daniel Soranz também disse que, entre os primeiros sete casos confirmados, nenhum deles tinha relação entre si. O rastreamento epidemiológico será realizado para os demais pacientes a partir de agora. "Todos os 23 casos foram leves e as pessoas se curaram. Foram casos brandos, de pessoas que não tomaram a primeira dose da vacina", explicou. Um dos pacientes mais velhos tem 57 anos. 

Um dos casos confirmados foi de um homem de 27 anos que participou da campanha de imunização da Ilha de Paquetá. No entanto, "ele havia tomado a primeira dose da vacina mas com tempo muito curto, então não deu tempo dele ser imunizado", explicou Soranz.

Questionado sobre as recomendações do município para se evitar a contaminação, o secretário reafirmou que as medidas são as mesmas que a população já deve cumprir no momento - como o uso de máscaras e o distanciamento social. Apesar do aumento registrado nos casos da variante Delta, ele descartou a retomada de medidas mais restritivas para a população.

"Não faz sentido aumentar as medidas restritivas, a gente sabe que essa variante não consegue ultrapassar as barreiras de proteção das vacinas que a gente tem para os casos graves e óbitos. Mas ela liga um alerta: se a gente perceber qualquer tipo de aumento na nossa curva de transmissão, a gente vai aumentar as medidas restritivas", declarou. 

Com a atualização dos casos da cidade do Rio de Janeiro, o Brasil registra até o momento 48 casos confirmados da variante, segundo levantamento da Agência CNN. O número de mortes associadas à variante permanece em cinco, sendo quatro pessoas no Paraná e um indiano, tripulante do navio "MV Shandong da Zhi" no Maranhão. Os casos suspeitos são cinco, todos identificados no Rio Grande do Sul.

População precisa colaborar mesmo com vacinação

Para o secretário, os números crescentes da população que já recebeu ao menos uma dose da vacina apontam para um cenário mais otimista no mês de novembro.

"Os números da vacinação são bons, mas a gente precisa ter cautela. Em novembro, nossa previsão é ter toda a população vacinada com a segunda dose da vacina. A gente precisa contar com a colaboração da população", disse. "Temos observado a diminuição dos números de internação e óbitos, mas tem muito vírus circulando e ainda temos muitos casos acontecendo. Precisamos que a população entenda esse momento".

No entanto, Soranz ressaltou que é importante vacinar se acordo com o calendário municipal e não escolher imunizantes ou deixar para a repescagem. "A gente tem tentado ser o mais compreensível possível, na maioria das vezes as pessoas estão escolhendo as vacinas por ignorância. Quando você escolhe vacina, adia sua vacinação e coloca sua saúde em risco e a vida da sua comunidade também", afirmou.

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro já aplicou mais de 4,9 milhões de doses desde o início da vacinação contra Covid-19, informou a pasta em nota, o que representa 68,9% da população-alvo. Porém, cerca de 89 mil pessoas que já tomaram a primeira dose estão com a segunda atrasada. 

"A Secretaria Municipal de Saúde realiza constantemente a busca ativa por pessoas que não retornaram aos postos para tomar a D2 no tempo correto e reforça que é necessário completar o esquema vacinal com as duas doses para garantir a eficácia da imunização", diz nota enviada à CNN.

Durante a entrevista, Daniel Soranz confirmou também uma nova pesquisa de efetividade da vacina a ser realizada no Complexo da Maré até o fim do mês. "A Maré é um bairro emblemático, ela merece esse cuidado e vai fazer parte de uma pesquisa que vai ajudar a ver os efeitos da vacina nas principais comunidades aqui do Rio de Janeiro".

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Foto: Acervo Fundação Oswaldo Cruz