Natalia Pasternak: 'Estudar aplicação da 3ª dose é para o futuro'

Anvisa autorizou a realização de um estudo clínico para avaliar a segurança, eficácia e imunogenicidade de uma terceira dose da vacina da AstraZeneca

Produzido por Layane Serrano, da CNN em São Paulo
19 de julho de 2021 às 11:12

A microbiologista Natalia Pasternak afirmou, em entrevista à CNN nesta segunda-feira (19), que as respostas dos estudos de aplicação da 3ª dose da vacina da AstraZeneca contra a Covid-19 vão ser necessárias apenas para o futuro. 

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou hoje a realização de um estudo clínico para avaliar a segurança, eficácia e imunogenicidade de uma terceira dose da vacina da farmacêutica contra a doença em participantes do estudo inicial que já haviam recebido as duas doses do imunizante, com um intervalo de quatro semanas entre as aplicações.  

“Ninguém está dizendo que a terceira dose será necessária, ninguém falou em mudar o regime de doses. O regime de doses continua sendo de duas doses. Existe um estudo para uma possível dose de reforço depois de um ano para avaliar a manutenção de memória imunológica”, explicou Pasternak.

Na avaliação da especialista, o estudo vai trazer algumas respostas científicas, de como, por exemplo, a nossa memória imunológica se comporta após as primeiras duas doses e depois com uma dose de reforço. “São respostas que vão ser necessárias no futuro, mas não tem nenhum indicativo até agora de que seja necessária uma terceira dose para que as pessoas estejam protegidas.”

Pasternak também ressaltou que a realização do estudo não é um indicativo de que as vacinas não estejam funcionando. “É simplesmente uma informação científica que nós precisamos. Todos os estudos recentemente publicados com pacientes que já tiveram com Covid-19 e pacientes vacinados mostram que existe uma grande probabilidade tanto das vacinas como da própria doença gerarem uma memória imune de longa duração”, disse a microbiologista.

“Tudo indica que vamos ter uma memória longa, agora se vai precisar ou não de reforço, nós realmente precisamos desses estudos para averiguar essa hipótese, sem cair no desespero de que a vacina não está funcionando.”