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    Anvisa aponta racismo após fabricantes de pomadas modeladoras culparem clientes por “não lavar cabelo”

    Agência se reuniu com representantes do setor no dia 17 de fevereiro, onde ouviu as demandas da categoria após a proibição do uso dos produtos

    Douglas Portoda CNN*

    em São Paulo

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) declarou, nesta quarta-feira (1º), que considera de aspecto racista e discriminatório os representantes de algumas empresas de pomadas capilares alegarem que os eventos adversos graves, como cegueira temporária, foram causados pelos usuários não lavarem os cabelos trançados por diversos dias.

    A reunião com as companhias aconteceu no último dia 17 de fevereiro. “A agência rejeita e abomina qualquer forma de discriminação, em especial o racismo. Como instituição pública, a Anvisa está comprometida com a proteção e a promoção da saúde da população, considerando o acolhimento das diversidades de povos, etnias e culturas que compõem o Brasil”, afirma o órgão.

    Segundo a Anvisa, até o momento, não existem dados que indiquem que o problema seja provocado por alguma forma específica de uso.

    No encontro, a agência reguladora explicou que estão sob investigação diversas causas após o uso das pomadas para trançar, modelar ou fixar os cabelos. Inclusive, as formulações dos produtos, a utilização ou impurezas que possam ser encontradas.

    “Portanto, não há alegações técnicas de que os eventos adversos graves estejam relacionados ao uso por pessoas negras e mais especificamente à prática de trançar cabelos”, continua.

    Proibição de venda

    A venda de todas as pomadas do tipo foi proibida em 10 de fevereiro. Enquanto a medida estiver em vigor, nenhum lote de qualquer desses produtos pode ser comercializado e não deve ser utilizado por consumidores e profissionais de beleza.

    De acordo com a Anvisa, a proibição é resultado de uma avaliação de risco devido ao aumento do número de casos de efeitos indesejáveis graves associados ao uso desse tipo de produto.

    Entre os eventos relatados pelos usuários estão perda temporária da visão, forte ardência nos olhos, lacrimejamento intenso, coceira, vermelhidão, inchaço ocular e dor de cabeça.

    Segundo as informações disponíveis, os eventos ocorreram, principalmente, com pessoas que tomaram banhos de mar, piscina, ou mesmo de chuva após terem feito uso dos produtos.

    Na reunião do dia 17, alguns representantes do setor sugeriram que a proibição fosse específica para os produtos usados para trançar cabelos, com a liberação dos demais. As sugestões dadas foram anotadas durante a reunião. A investigação continua.

    Medida preventiva

    A interdição cautelar é uma medida preventiva e temporária, enquanto são realizadas as investigações do caso. Anteriormente, a Anvisa publicou dois alertas e interdições sobre estes produtos.

    A Anvisa alerta que exemplares adquiridos anteriormente por clientes ou em salões de beleza não devem ser utilizados neste momento (confira as orientações abaixo).

    Recomendações da Anvisa aos consumidores:

    • Não use ou adquira esses produtos
    • Se fez uso recente, lave os cabelos com cuidado, sempre lembrando de inclinar a cabeça para trás, para que o produto não entre em contato com os olhos
    • Em caso de contato acidental com os olhos, lave imediatamente com água em abundância
    • Em caso de qualquer efeito indesejado procure imediatamente o serviço de saúde
    • Em caso de efeito indesejado, notifique o caso à Anvisa

    (*Com informações de Lucas Rocha, da CNN)